Estratificação da pesquisa mostra governador forte nos maiores grupos religiosos, mas com resistência no setor rural
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Política
O governador Daniel Vilela (MDB) lidera a disputa pelo Governo de Goiás, mas a estratificação da pesquisa Diagnóstico/Acieg mostra que a vantagem não é uniforme. O emedebista tem 36,1% no cenário estimulado, 13,4 pontos à frente de Marconi Perillo (PSDB), mas perde para Wilder Morais (PL) no recorte da agropecuária.
Entre os eleitores ligados ao agro, Wilder aparece com 43,7%. Daniel tem 26,2%. Marconi registra 16,7%. É o único grande grupo ocupacional em que o governador não lidera.
O dado ajuda a explicar a movimentação dentro da base governista em torno da escolha do vice. Daniel aparece bem posicionado no eleitorado urbano, no funcionalismo e entre evangélicos, mas encontra resistência justamente no setor mais simbólico da economia goiana.
Entre os evangélicos, Daniel tem 47,5%. Marconi aparece com 18% e Wilder com 14,7%. Entre os católicos, o governador também lidera, com 30,3%, contra 25,9% de Marconi e 15,9% de Wilder. No corte por ocupação, Daniel fica à frente entre funcionários públicos, com 47,3%; estudantes, com 43,2%; comerciantes, com 39%; e autônomos, com 38,4%.
A leitura interna é simples: Daniel tem liderança geral e baixa rejeição, mas ainda precisa fechar a porteira. Defensores do nome de José Mário Schreiner, presidente licenciado da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), um dos cotados para a disputa, sustentam que um vice ligado ao agronegócio poderia ajudar a reduzir a vantagem de Wilder no campo e dar mais equilíbrio territorial à chapa.
Contudo, os que defendem o nome do ex-senador Luiz do Carmo (PSD), irmão do bispo Oídes do Carmo, presidente da Convenção das Assembleias de Deus de Goiás (Conamad-GO), avaliam que a unção de Luiz ao posto do vice manteria o eleitorado debaixo da égide danielista. Do contrário, existe o temor da debandada, apesar do próprio ex-parlamentar já ter sustentado diversas vezes que seguirá apoiando Vilela, qualquer que seja o cenário.
"Agro não é propenso a votar no Daniel", avalia especialista
O especialista em marketing político Marcos Marinho sustenta essa leitura e avalia que a principal dificuldade de Daniel está justamente no agronegócio, segmento em que Wilder aparece à frente na estratificação da pesquisa. Na avaliação dele, o resultado reforça a importância da escolha de um vice com trânsito no setor e expõe uma falha de comunicação da base governista com produtores rurais.
“O pessoal do agro não é propenso a votar no Daniel. Ele não tem essa penetração toda no setor. Isso pode contar pontos na escolha do vice. Zé Mário, teoricamente, poderia fazer melhor essa ponte”, afirma.
Para Marinho, Daniel já chega competitivo entre os evangélicos, o que reduz o peso eleitoral de uma escolha voltada exclusivamente para esse segmento. “Na ala evangélica já há uma tendência natural de voto no Daniel. Então Luiz do Carmo talvez não fosse tão relevante para consolidar esses votos”, diz.
O estrategista afirma ainda que a relação entre a base governista e o agronegócio precisa ser reconstruída. “Esse pessoal está chateado com Caiado desde a taxa, e nada foi feito para mudar isso. Não houve uma entrega daquilo que foi arrecadado nem uma devolução política desse processo. A comunicação da base com o agronegócio precisa ser mais azeitada, mais estruturada. O Daniel hoje não tem penetração no agronegócio”, avalia.
Na leitura de Marinho, esse é o principal desafio da campanha governista daqui para frente. “A grande preocupação do Daniel é trazer esses votos do agro para impedir que Wilder cresça e tentar liquidar a disputa no primeiro turno, que é a pretensão do Caiado. Acho esse cenário bastante difícil”, conclui.
A pesquisa foi realizada pelo Instituto Diagnóstico entre 15 e 18 de junho de 2026, com 1.100 eleitores em Goiás. A margem de erro é de 4,84 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no TSE sob o número GO-05421/2026.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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