Cuscuz

Cuscuz Sertanejo & Camarão, Cuxá e Umami (Foto: Domingos Ketelbey)

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Cuscuz Sertanejo & Camarão, Cuxá e Umami (Foto: Domingos Ketelbey)

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Cuscuz Sertanejo & Camarão, Cuxá e Umami (Foto: Domingos Ketelbey)

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Cuscuz Sertanejo & Camarão, Cuxá e Umami (Foto: Domingos Ketelbey)

Cuscuz vira prato principal em festival do Piry e ganha versões que vão do sertão ao umami

Cuscuz vira prato principal em festival do Piry e ganha versões que vão do sertão ao umami

Festival aposta em repertório curto, mistura tradição e releituras e entrega execução consistente

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Gastronomia

O Piry Cozinha Nordestina colocou o cuscuz no centro do cardápio até 31 de março. A segunda edição do festival começou no dia 16, surfa a data do Dia Mundial do Cuscuz e aposta em cinco pratos para sustentar a ideia de que o básico ainda rende conversa.

O restaurante, que merece ser tombado como patrimônio do Jardim América, não inventa moda no conceito, mas organiza melhor a execução. Mantém três receitas que já rodaram bem na primeira edição e inclui duas novas. É menos sobre quantidade e mais sobre repertório.

O Cuscuz Sertanejo (R$ 35,90) segue como eixo do cardápio. Carne de sol, manteiga do sertão, cebola roxa e feijão-verde com nata. Não tem firula. Funciona porque não tenta reinventar o que já está resolvido o que faz com que a combinação de sabores seja uma das que mais sejam pedidas. É 10/10 no resultado final.

O Cuscuz de Fumeiro (R$ 43,90) vai por outro caminho. Lombo defumado na casa, abóbora, castanha-de-caju e um molho que puxa para o agridoce. É prato de construção mais elaborada, com risco maior, mas que entrega equilíbrio.

Na ala sem proteína animal, o Vegano Arretado (R$ 35,90) cumpre papel de ampliar público. Leite de coco, cogumelos e banana-da-terra seguram a base, com textura bem resolvida. Não é concessão, é escolha de cardápio.

Uma ousada proposta está no Camarão, Cuxá e Umami (R$ 47,90). Mistura referências do Norte e do Nordeste com técnica mais contemporânea. Entram tahine, missô e redução de leite de coco. É o prato que tenta sair do território seguro e, na prática, sustenta a proposta. Os sabores são bem resolvidos, sem excesso, e o conjunto funciona.

Há, no entanto, um ajuste possível. A base de cuscuz vem generosa e, em alguns momentos, sobrepõe a presença dos camarões. Com um leve reforço na proteína, o prato tende a ganhar ainda mais equilíbrio e protagonismo sem mexer na estrutura. Com isso, também fica 10/10.

Na sobremesa, a Banoffee de Cuscuz (R$ 19,90) troca a base tradicional por creme de milho. É adaptação direta, sem grandes riscos. Fecha o percurso com previsibilidade.

O shot de milho (R$ 9,90) aparece como acessório. Um licor com sabores que remetem pamonha e serve bem seja para abrir os caminhos para a refeição principal, como para fechar a conta.

O festival está nos últimos dias e vale a pena a experiência para quem curte um clássico nordestino. É um recorte honesto de um ingrediente que já nasce protagonista. O mérito está na execução consistente e na decisão de não exagerar na narrativa.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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