Etapa abre ciclo de cinco anos da modalidade em Goiânia e coloca em teste uso permanente do autódromo reformado
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Economia
A estreia da MotoGP em Goiânia, nesta sexta-feira (20), foi tratada pelo governo estadual como ponto de partida, não de chegada. Com contrato firmado até 2030, a aposta do governador Ronaldo Caiado (PSD) e do vice-governador Daniel Vilela (MDB) é transformar a etapa brasileira em eixo de um calendário contínuo, capaz de sustentar o uso do Autódromo Ayrton Senna para além do fim de semana de corrida.
O evento inaugura esse ciclo sob forte exposição. A estimativa é de mais de 150 mil pessoas ao longo dos três dias e movimentação de cerca de R$ 870 milhões na economia. A rede hoteleira opera próxima do limite e o fluxo aéreo registrou alta de 300% na semana da prova, segundo dados apresentados por Daniel na coletiva de imprensa que abriu a etapa nesta sexta-feira (20).
O pano de fundo é a reforma do autódromo, que consumiu R$ 250 milhões e reconfigurou o circuito para padrões internacionais. A estrutura foi homologada pela Federação Internacional de Motociclismo na véspera da abertura, após intervenções que incluíram nova pista, sistemas de segurança, torre de controle e centro médico.
O governador Ronaldo Caiado acompanhou os primeiros treinos e reforçou a ideia de continuidade. “Nós nos preparamos para entregar uma estrutura completa, com tecnologia e condições de receber grandes competições”, afirmou. A narrativa oficial busca vincular o investimento a um projeto de longo prazo.
Na prática, a estreia também funciona como teste operacional. A programação de treinos foi mantida mesmo após chuva no início do dia, sem interrupções relevantes, o que valida a capacidade do circuito recém-entregue.
O governo tenta ancorar o discurso em exemplos externos. Daniel Vilela cita o caso de Jerez de la Frontera, na Espanha, onde a MotoGP se tornou eixo da economia local. “Mostra o potencial de transformação que eventos desse porte podem trazer”, disse. O desafio está justamente nessa transição. A etapa entrega público, visibilidade e receita em poucos dias, mas o retorno sustentado depende de calendário, manutenção e capacidade de atrair novos eventos. Sem isso, o risco é de o autódromo voltar a operar por picos.
Sobre a atual edição, ela já movimenta as contas públicas. A estimativa é de R$ 130 milhões em arrecadação de impostos, somando ICMS e ISS, gerados pela cadeia econômica ligada à corrida entre 20 e 22 de março.
O número ganha dimensão quando comparado ao orçamento municipal. O valor corresponde a 70,3% dos R$ 185 milhões previstos na Lei Orçamentária Anual de 2026 para emendas impositivas dos vereadores de Goiânia. Em três dias, o evento se aproxima de uma das principais rubricas de investimento direcionado da capital.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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