Fernando Pestana contesta interpretação atribuída a sua obra em questão sobre a palavra “harmonia” em certame da Prefeitura de Catalão
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Uma questão de Língua Portuguesa no concurso da Prefeitura de Catalão abriu um conflito técnico após a Fundação Aroeira, responsável pela banca organizadora da prova, citar o professor Fernando Pestana para sustentar o gabarito, após recurso apresentado por um dos concurseiros. Procurado, o autor afirmou não reconhecer a justificativa atribuída a ele.
O caso envolve a análise da palavra “harmonia” e a contagem de letras e fonemas. Ao negar recurso de candidato, a banca manteve como correta a alternativa que aponta seis fonemas para o vocábulo. Na justificativa, a organizadora cita obra de Fernando Pestana e sustenta a existência de um “fonema nasal (on)” na palavra, o que reduziria a contagem total.
A interpretação, no entanto, é rejeitada pelo próprio autor. “Um completo absurdo!”, afirmou Pestana ao Blog do DK. O professor diz não saber o que levou à leitura adotada pela banca. “Eu não tenho a menor ideia do que a banca pensou. Essa pergunta tem de ser dirigida a ela”, disse.
Ele também admite a possibilidade de medidas contra o uso de seu nome. “Sem dúvida tenho interesse em tomar alguma ação contra a banca”, afirmou.
A discussão gira em torno de um ponto técnico da fonologia. Na justificativa apresentada, a banca considera a existência de um suposto “fonema nasal (on)” em “harmonia”, tese que fundamenta a manutenção do gabarito. Candidatos que recorreram da questão sustentam que a palavra possui sete fonemas, já que o “h” inicial não tem valor sonoro e não haveria, no caso, dígrafo ou nasalização que reduzisse a contagem.
Candidato aponta inconsistências e questiona condução do concurso
Um dos candidatos ouvidos pelo Blog do DK afirma que a questão sobre “harmonia” é apenas parte de um conjunto de problemas identificados ao longo do certame. Ele afirma ter recorrido de cinco questões da prova, com provimento parcial. “Tive duas aceitas e três negadas. Uma eu desisti, mas a de gramática é muito problemática”, disse.
Sobre o item que envolve a palavra “harmonia”, o candidato sustenta que não há dígrafo ou nasalização que justifique a redução no número de fonemas. “A banca argumentou que o ‘on’ seria um dígrafo nasal, mas isso não ocorre entre sílabas diferentes”, afirmou.
Ele relata ainda que o caso foi levado ao professor citado na justificativa. “A gente enviou para o Pestana e ele disse que o gabarito está errado”, disse. O candidato também aponta atrasos no cronograma. “A banca deveria ter publicado o resultado dos recursos no sábado, mas só divulgou no domingo à noite”, afirmou se referindo aos dias 11 e 12 deste mês.
Além disso, ele menciona outros pontos que considera problemáticos, como questionamentos sobre o cumprimento de cotas e divergências em questões de outras disciplinas. “São várias inconsistências. Isso abre margem para suspeitas sobre a condução do concurso”, afirmou.
O Blog do DK procurou a Fundação Aroeira, responsável pela organização do certame, e a Prefeitura de Catalão para comentar o caso, mas não houve retorno até o fechamento desta publicação. O espaço segue aberto para manifestação.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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