Araras-canindé têm se adaptado à paisagem urbana de Goiânia, onde encontram alimento, árvores e locais para abrigo e reprodução. (Foto: Divulgação UFG)

Araras-canindé têm se adaptado à paisagem urbana de Goiânia, onde encontram alimento, árvores e locais para abrigo e reprodução. (Foto: Divulgação UFG)

Araras-canindé têm se adaptado à paisagem urbana de Goiânia, onde encontram alimento, árvores e locais para abrigo e reprodução. (Foto: Divulgação UFG)

Araras-canindé têm se adaptado à paisagem urbana de Goiânia, onde encontram alimento, árvores e locais para abrigo e reprodução. (Foto: Divulgação UFG)

Araras-canindé se adaptam a Goiânia, mas presença pode indicar perda de habitat

Araras-canindé se adaptam a Goiânia, mas presença pode indicar perda de habitat

Aumento das aves na Capital é favorecido por parques e arborização, mas pesquisador da UFG alerta que degradação de áreas naturais pode estar por trás do fenômeno

·

Cidades

As araras-canindé já fazem parte da paisagem de diferentes regiões de Goiânia. Facilmente reconhecidas pelas penas azuis e amarelas e pelo voo em grupos, as aves encontram na arborização da Capital, nos parques e nos bosques condições que ajudam na alimentação, no abrigo e na reprodução.

A presença cada vez mais frequente, porém, não deve ser interpretada apenas como consequência da quantidade de áreas verdes na cidade. Para o professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) Carlos Bianchi, especialista no estudo de aves, o aumento também pode estar relacionado à perda e à degradação dos habitats naturais da espécie.

Mais araras na cidade

Segundo Bianchi, há cerca de uma década a quantidade de araras observada em Goiânia era menor. A hipótese é que transformações nos ambientes naturais tenham levado parte desses animais a buscar alternativas dentro da área urbana.

A Capital oferece condições que facilitam essa adaptação. Árvores utilizadas para alimentação, palmeiras que podem servir de locais de nidificação e a presença de parques e bosques criam recursos importantes para as aves.

A UFG acompanha esse fenômeno há anos. Um projeto iniciado em 2020 passou a reunir registros feitos pelos próprios moradores para entender onde as araras vivem, do que se alimentam, onde dormem e como se reproduzem na cidade. Entre os alimentos já identificados pelos pesquisadores estão flores de flamboyant, frutos de jatobá, sete-copas e coquinhos.

Cidade também oferece riscos

Apesar da capacidade de adaptação, o ambiente urbano apresenta perigos para as araras.

Atropelamentos, acidentes envolvendo linhas com cerol e quedas de palmeiras onde existem ninhos estão entre os casos que chegam aos serviços de atendimento a animais silvestres.

Poluição, iluminação artificial, ruído intenso, circulação de veículos e grandes construções também modificam as condições encontradas pelas aves.

Bianchi destaca ainda que estudos já investigam possíveis efeitos de fatores urbanos, como poluentes, sobre características biológicas e genéticas das aves.

Convivência exige cuidado

A presença das araras próximas a casas e estabelecimentos também cria situações de conflito.

Segundo o pesquisador, há relatos de retirada de cachos de frutos de palmeiras para impedir que as aves se aproximem e até do uso de fogos de artifício para afastá-las.

Esse tipo de comportamento pode causar ferimentos ou estresse aos animais e, dependendo da conduta, resultar em responsabilização com base na legislação ambiental.

Para o professor, ações de educação ambiental são fundamentais para orientar os moradores sobre a convivência com a fauna silvestre que passou a ocupar os espaços urbanos.

Sinal de adaptação e alerta ambiental

O crescimento da presença das araras-canindé em Goiânia mostra, ao mesmo tempo, a capacidade de adaptação da espécie e os efeitos das mudanças ambientais fora da cidade.

A existência de áreas arborizadas contribui para que esses animais encontrem condições de sobrevivência, mas a migração para ambientes urbanos também pode refletir a redução de espaços naturais disponíveis no Cerrado.

Image

Karla Alves

É jornalista e assessora de comunicação. Há mais de 15 anos, atua na imprensa goiana e aproxima informação, pessoas e organizações.

Continue a leitura

You can't work for Twitter, Elon Musk is different