Flávio Bolsonaro deixa o país após ser derrotado por Lula no segundo turno (Foto: Maura Martins/ TV Brasil)

Flávio Bolsonaro deixa o país após ser derrotado por Lula no segundo turno (Foto: Maura Martins/ TV Brasil)

Flávio Bolsonaro deixa o país após ser derrotado por Lula no segundo turno (Foto: Maura Martins/ TV Brasil)

Flávio Bolsonaro deixa o país após ser derrotado por Lula no segundo turno (Foto: Maura Martins/ TV Brasil)

Após dizer que não sairia do país, Flávio deixa o Brasil rumo aos Estados Unidos

Após dizer que não sairia do país, Flávio deixa o Brasil rumo aos Estados Unidos

Senador eleito por Goiás afirma que decisão protege aliado e família; prazo para entrega dos passaportes terminou nesta terça-feira

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Política

Um dia depois de afirmar que nunca havia pensado em deixar o país, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) saiu do Brasil nesta terça-feira (27), segundo apuração da Reuters com autoridades americanas. Derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, ele estava proibido de viajar ao exterior e não entregou seus passaportes à Polícia Federal no prazo determinado.

O deputado federal e senador eleito por Goiás Gustavo Gayer (PL) defendeu a decisão do aliado. Em vídeo nas redes sociais, afirmou ter recebido informação de uma pessoa próxima à família de que Flávio deixou o país acompanhado da esposa e das filhas, com destino aos Estados Unidos.

“Então a melhor coisa que o Flávio fez tanto para ele quanto para o Brasil nesse momento é não se tornar essa peça de barganha e ir para os Estados Unidos”, declarou Gayer. O parlamentar sustentou, sem apresentar provas, que uma eventual prisão do senador seria utilizada para interferir na eleição para a presidência do Senado.

O prazo para Flávio apresentar os passaportes comum e diplomático terminou na manhã desta terça. Ele havia sido intimado na segunda-feira (26) a entregar os documentos em até 24 horas, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão também proibia sua saída do território brasileiro.

A viagem relatada pela Reuters contrasta com a manifestação pública do senador na véspera. Ao informar que havia sido abordado pela PF depois de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio negou intenção de deixar o Brasil e disse que cumpriria a ordem de entrega dos documentos.

Gayer vincula saída à disputa no Senado

Na avaliação apresentada por Gayer, Flávio poderia ser pressionado a atuar contra a eleição de Rogério Marinho (PL-RN) ou de outro nome da direita para o comando do Senado. O deputado também associou a medida judicial à tentativa de impedir o avanço de pedidos de impeachment contra Moraes. Essas acusações não foram acompanhadas de documentos ou outros elementos de comprovação.

“Flávio então vai para os Estados Unidos e de lá ele vai poder continuar falando, ele vai poder continuar tendo liberdade para lutar pelo nosso país, o que não aconteceria se ele ficasse aqui”, afirmou.

Gayer citou uma reportagem do Metrópoles segundo a qual o avião estaria em voo e a informação teria sido confirmada por uma pessoa próxima à família. A declaração do parlamentar não esclarece a rota utilizada nem confirma o desembarque em território americano.

Ele também disse esperar pressão sobre os senadores eleitos e afirmou que manterá sua posição política. “Eu estou disposto a sacrificar a minha liberdade. O nosso país precisa que nós façamos isso, todos nós”, declarou.

Marcon fala em exílio

O deputado federal Mauricio Marcon (PL-RS) também afirmou que Flávio estava a caminho dos Estados Unidos, classificando a viagem como uma busca por exílio. No vídeo, admitiu desconhecer se o senador teria passado pela Argentina ou pela Venezuela.

“Seguirá sendo o nosso líder, assim como Jair Bolsonaro”, disse Marcon. Assim como Gayer, ele vinculou a restrição judicial à disputa pelo comando do Senado e pediu que eleitores cobrem dos parlamentares uma posição contrária à recondução de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

A informação sobre a saída do Brasil não esclarece a situação migratória de Flávio. Embora aliados utilizem a expressão “exílio”, não há, no material disponível, confirmação de pedido formal ou concessão de proteção pelo governo americano.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.

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