Pedido foi apresentado pelo governo americano durante negociações sobre tarifas; documento falava em “dissidentes políticos” e foi rejeitado pelo Brasil
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Política
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exigiu que o Brasil garantisse a participação de “dissidentes políticos” nas eleições presidenciais de 2026. A condição constava de uma proposta apresentada durante as negociações relacionadas às tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.
O documento foi entregue ao governo brasileiro em 16 de outubro de 2025, quando o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, estava em Washington para encontros com integrantes do governo americano. A existência da proposta veio a público nesta quinta-feira (17).
Apesar do termo utilizado pelos Estados Unidos, o documento não especificava quem seriam esses “dissidentes políticos”. Por isso, não é possível atribuir a exigência a um candidato ou político específico.
Documento tinha 21 exigências
Segundo as informações reveladas pela Folha de S.Paulo, o governo Trump apresentou 21 exigências ao Brasil. Entre elas estava o compromisso de garantir eleições presidenciais “livres e justas” em 2026 e de não deter ou limitar arbitrariamente a participação de adversários políticos no processo eleitoral.
As demandas foram apresentadas durante as tratativas relacionadas ao primeiro tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos contra o Brasil. Parte dos pontos, entretanto, extrapolava questões estritamente comerciais.
Além da questão eleitoral, a proposta americana incluía temas como Pix, compra de aviões da Boeing, minerais críticos e redução de tarifas brasileiras para determinados produtos dos Estados Unidos.
Brasil rejeitou proposta
Mauro Vieira comunicou o conteúdo ao Palácio do Planalto e rejeitou os termos apresentados pelos Estados Unidos. Segundo fontes ouvidas pela CNN Brasil, os pontos sequer chegaram a ser discutidos posteriormente na reunião do chanceler com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
A menção a “dissidentes políticos” também foi contestada pela diplomacia brasileira. Segundo a Folha de S.Paulo, Vieira argumentou que não há dissidentes ou presos políticos no Brasil e considerou os termos apresentados ofensivos e injustificáveis.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.
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