Queda da vazão durante a estiagem leva manancial a novo patamar de criticidade
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Cidades
A situação do Rio Meia Ponte voltou a acender o alerta em Goiás. O manancial, fundamental para o abastecimento da Região Metropolitana de Goiânia, entrou em nível crítico devido à redução da vazão durante o período de estiagem.
A mudança representa um agravamento em relação à situação registrada na semana passada. Em 15 de setembro, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) havia oficializado o nível de alerta, quando a média móvel da vazão estava em 8.250 litros por segundo.
O sistema de acompanhamento considera a média móvel das vazões dos últimos sete dias. As medições são realizadas diariamente, às 7h e às 17h, e um novo nível de criticidade somente pode ser estabelecido depois de sete dias.
O que significa o nível crítico?
As regras de segurança hídrica da Bacia do Meia Ponte estabelecem seis patamares conforme a quantidade de água disponível no rio.
O Nível Crítico 1 é alcançado quando a vazão é igual ou inferior a 5.500 litros por segundo. Abaixo dele existem ainda outros três estágios: Crítico 2, a partir de 4 mil litros por segundo; Crítico 3, em 3 mil litros por segundo; e Crítico 4, quando a vazão chega a 2 mil litros por segundo ou menos.
No Nível Crítico 1, as regras preveem a manutenção de uma vazão de captação de 2 mil litros por segundo para o abastecimento público da Região Metropolitana de Goiânia, enquanto a vazão remanescente a jusante do ponto de controle pode ser reduzida gradualmente até o mínimo de 2 mil litros por segundo.
Também estão previstas a intensificação das ações de orientação e fiscalização, campanhas para estimular o uso racional da água e articulação com usuários da bacia.
Situação pode ficar ainda mais restritiva
O avanço para níveis seguintes pode provocar medidas mais rigorosas. No Nível Crítico 2, quando a vazão chega a 4 mil litros por segundo ou menos, está prevista redução de 25% das captações de usuários de águas superficiais e subterrâneas localizados a montante do ponto de controle, com exceção do abastecimento público e da dessedentação animal.
Nesse estágio, a Saneago também deve apresentar plano de racionamento aos órgãos reguladores em razão da possibilidade de redução do volume disponível para abastecimento público. Isso, porém, não significa que o ingresso no Crítico 1 determine automaticamente racionamento de água em Goiânia.
Se o rio alcançar o Nível Crítico 3, de até 3 mil litros por segundo, as regras preveem redução de 50% das captações abrangidas pelas restrições e redução gradativa da captação destinada ao abastecimento da Região Metropolitana até 1 mil litros por segundo.
Meia Ponte é estratégico para Goiânia
A Bacia Hidrográfica do Rio Meia Ponte está entre as principais fontes de água para a Região Metropolitana de Goiânia. A área do Alto Meia Ponte, antes do ponto de captação, reúne ainda atividades industriais, agroindustriais, pecuárias e produção de hortaliças, o que exige gerenciamento dos diferentes usos da água.
A Semad mantém monitoramento contínuo da vazão para determinar os níveis de criticidade e as providências previstas para cada estágio.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.
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