Decisão nacional frustra articulação de Flávio Bolsonaro e libera diretórios estaduais para seguirem acordos locais
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Política
O Republicanos decidiu, nesta terça-feira (4), optar pela neutralidade na disputa pela Presidência da República. No núcleo do senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL, havia a expectativa de que a legenda historicamente ligada à Igreja Universal levasse seu tempo de televisão e sua estrutura ao palanque do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Não ocorreu. Agora, o partido fica livre para apoiar quem quiser e, em Goiás, seguir com o ex-governador Ronaldo Caiado, candidato do PSD ao Palácio do Planalto.
A decisão nacional foi tomada depois de uma consulta aos diretórios estaduais. Dezessete defenderam a neutralidade, nove votaram pelo apoio a Flávio e apenas um preferiu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, estava entre os defensores da aliança com o PL. Foi derrotado pela maioria, embora tenha anunciado que fará campanha pessoalmente para Flávio.
A neutralidade, portanto, vale para o partido. Seus dirigentes continuam autorizados a tomar partido. É uma solução conveniente para uma legenda que abriga aliados do bolsonarismo, participa do governo Lula e construiu acordos eleitorais diferentes em cada estado.
Em Goiás, a direção já estava indicada antes mesmo da convenção. O presidente estadual do Republicanos, Roberto Naves, afirmou em entrevista a este que vos escreve que sempre defendeu o apoio à candidatura presidencial de Caiado.
Naves também conduziu o partido para a base do governador Daniel Vilela. O Republicanos integra a coligação governista e participa do projeto que tenta apresentar Daniel como continuidade da gestão iniciada por Caiado em 2019.
Seria politicamente difícil pedir votos para o grupo caiadista na eleição estadual e, ao mesmo tempo, trabalhar contra Caiado na disputa presidencial. A neutralidade nacional resolve o problema sem obrigar Marcos Pereira a anunciar uma aliança que não desejava.
A decisão também representa uma derrota para Flávio. O senador buscava o Republicanos não apenas pelo tempo de propaganda, mas para ampliar uma candidatura que continua oficialmente sustentada apenas pelo PL.
A economista Daniella Marques, filiada ao Republicanos, chegou a ser tratada como uma das principais opções para ocupar a vice. Sem coligação entre as legendas, a hipótese foi descartada. Flávio terá de buscar outro nome, possivelmente dentro do próprio partido.
Caiado, por outro lado, pode conquistar nos estados apoios que não conseguiu fechar nacionalmente. O Republicanos não estará formalmente em sua coligação, mas seus diretórios foram liberados para participar da campanha.
A legenda escolheu não descer do muro em Brasília. Em Goiás, Roberto Naves já havia avisado para qual lado pretende olhar.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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