Presidente da federação, Juliano Medeiros iniciou consulta a partidos de esquerda após ministro determinar afastamento do diretor-geral da Polícia Federal
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Política
A Federação PSOL-Rede iniciou nesta terça-feira (8) uma articulação com outros partidos de esquerda para discutir a apresentação de um pedido coletivo de impeachment do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A movimentação foi anunciada pelo presidente da federação, Juliano Medeiros, nas redes sociais. “Como presidente da federação PSOL-Rede estou iniciando uma consulta aos demais partidos da esquerda sobre um pedido coletivo de impeachment de André Mendonça”, escreveu.
A manifestação ocorre no mesmo dia em que Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada da Costa. A decisão ampliou a crise institucional envolvendo a PF e integrantes do Supremo.
Juliano compara Mendonça a Sérgio Moro
Na publicação, Medeiros acusou o ministro de ultrapassar os limites de suas atribuições e de utilizar decisões judiciais com objetivos políticos. “Mendonça é novo Sérgio Moro: passa de todos os limites das suas atribuições, faz política com decisões judiciais e blinda seus aliados. Tudo para interferir no resultado das eleições”, afirmou.
O dirigente também relacionou Mendonça ao grupo político do ex-presidente Jair Bolsonaro, responsável por indicá-lo ao STF em 2021.
As declarações são críticas políticas feitas por Medeiros e não representam conclusão judicial sobre a conduta do ministro.
Pedido ainda depende de articulação
Até o início da tarde desta terça-feira, não havia confirmação de que o pedido de impeachment tivesse sido formalmente protocolado no Senado.
O movimento anunciado por Medeiros é, neste momento, uma consulta aos demais partidos de esquerda para avaliar a construção de uma iniciativa conjunta.
A Constituição atribui ao Senado a competência para processar e julgar ministros do Supremo em crimes de responsabilidade.
Crise se agrava no STF
Mendonça afirmou ter identificado relatórios de inteligência produzidos pela Polícia Federal que configurariam monitoramento ilegal contra ele e contra o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Com base nesse material, determinou os afastamentos preventivos de Andrei Rodrigues e Leandro Almada e mandou a Corregedoria da PF investigar os responsáveis pelos documentos.
A Segunda Turma do STF chegou a formar maioria para manter a decisão de Mendonça, mas o julgamento foi interrompido após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Os efeitos imediatos da decisão de afastamento permaneceram válidos.
A Advocacia-Geral da União informou que pretende recorrer e argumentar que o afastamento do diretor-geral da PF interfere em competência da Presidência da República.

Karla Alves
É jornalista e assessora de comunicação. Há mais de 15 anos, atua na imprensa goiana e aproxima informação, pessoas e organizações.
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