Cíntia Dias diz que partido aceita discutir unidade da esquerda, mas avisa que não entrará na majoritária apenas para completar a composição
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Política
O PSOL colocou um limite na negociação da frente progressista em Goiás. A presidente estadual da legenda, Cíntia Dias, afirmou que o partido quer uma vaga ao Senado na chapa liderada pelo ex-deputado estadual Luís César Bueno (PT) e rejeita ocupar a vice apenas para acomodar a aliança.
Em entrevista ao jornalista Domingos Ketelbey, editor do Blog do DK, Cíntia disse que o PSOL está disposto a discutir uma chapa unificada para dar palanque ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Goiás. Mas cobrou contrapartida concreta na majoritária. “Para garantir um palanque unificado, a gente tem que estar na majoritária. E estar na vice não é uma possibilidade para o PSOL”, afirmou.
A frase resume o impasse da esquerda goiana. O PT já definiu Luís César como pré-candidato ao governo. A escolha foi assimilada pelos aliados, mas abriu a disputa pelas duas vagas ao Senado.
O PSB indicou a ex-deputada estadual Isaura Lemos. O PCdoB apresentou o ex-deputado estadual Aldo Arantes. O PV trabalha com Cristiano Cunha e Ricardo Dias. O PDT lançou o presidente estadual Kowalsky Ribeiro. O PSOL mantém Cíntia como pré-candidata ao governo, mas admite recuar se a negociação avançar para o Senado.
A conta não fecha sem alguém ceder. Há mais partidos interessados do que espaços disponíveis. E o PSOL tenta impedir que a discussão termine com o PT no governo e a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, também ocupando as vagas mais competitivas da chapa. “O que a gente tem defendido é que a federação PT, PV e PCdoB lançou uma candidatura majoritária, que é a do Luís César Bueno. Então, se eles querem outras vagas, eles não querem aliança”, disse Cíntia.
A dirigente reconhece que o PT tem o maior peso dentro da esquerda goiana e considera natural a indicação de Luís César. O problema, segundo ela, foi a forma como a decisão chegou aos aliados. “O PT realmente é a maior sigla que a gente tem dentro da esquerda no estado de Goiás. É natural eles apresentarem a candidatura do Luís César, e a gente recebe essa candidatura com muita vontade que ela chegue a disputar o segundo turno. Agora, não é uma decisão que cabia a nós. Eles fizeram e entregaram pronta para a gente. Agora, a gente precisa discutir a chapa completa”, afirmou.
O recado é dirigido principalmente ao PT e aos partidos da federação. Para o PSOL, a unidade em torno de Lula não pode significar apenas adesão ao desenho petista. Precisa envolver divisão de espaço, tempo de campanha e protagonismo eleitoral.
Cíntia também reagiu à possibilidade de ser lembrada para compor a chapa como mulher. A deputada federal Adriana Accorsi, presidente estadual do PT, defendeu ao menos duas mulheres na majoritária e citou a presidente do PSOL como uma das opções. Cíntia agradeceu a lembrança, mas fez uma ressalva. “A candidatura das mulheres não é uma candidatura que pode tampar buraco. Não pode ser assim. É uma candidatura que vem em construção”, disse.
A presidente do PSOL afirma que seu nome foi construído para disputar o governo e não pode ser tratado apenas como peça de encaixe. Segundo ela, levantamentos chegaram a apontá-la com 5% das intenções de voto e, em alguns cenários, acima de Luís César. “Meu nome foi cogitado para governo. A gente não retirou a candidatura a governo com 5%. Em algumas pesquisas, eu consigo apresentar mais gente com a gente do que o próprio Luís César. Então, isso tem uma validade, tem um peso que precisa ser analisado e abraçado pela frente”, afirmou.
A demora na definição também abriu cobrança interna. Cíntia diz que o partido é pressionado pela própria militância e que a indefinição atrasa a mobilização eleitoral. “Todos os dias eu preciso responder para minha base e para meus aliados por que essa demora tanto. Essa indefinição nos causa muito problema. Internamente, porque a gente tem que responder a todo momento. E externamente, porque a gente não consegue fazer a nossa militância já ir para fora”, disse.
A reunião marcada para esta quinta-feira (25), no diretório estadual do PT, deve medir o tamanho da disposição dos partidos para fechar uma chapa única. O PSOL chega à mesa com uma posição clara: aceita negociar, mas não aceita sair da majoritária pela porta lateral. Cíntia resumiu o impasse em uma frase: “Alguém tem que perder alguma coisa”.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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