Caiado, candidato a presidente da República pelo PSD (Foto: divulgação)

Ex-governador de Goiás é candidato a presidente da República pelo PSD (Foto: divulgação)

Caiado, candidato a presidente da República pelo PSD (Foto: divulgação)

Ex-governador de Goiás é candidato a presidente da República pelo PSD (Foto: divulgação)

Caiado, candidato a presidente da República pelo PSD (Foto: divulgação)

Ex-governador de Goiás é candidato a presidente da República pelo PSD (Foto: divulgação)

Caiado, candidato a presidente da República pelo PSD (Foto: divulgação)

Ex-governador de Goiás é candidato a presidente da República pelo PSD (Foto: divulgação)

O recado que a Datafolha dá para Caiado

O recado que a Datafolha dá para Caiado

Ex-governador de Goiás é competitivo contra Lula, mas segue distante da segunda vaga

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Política

A nova Datafolha divulgada nesta sexta-feira (21), entrega a Ronaldo Caiado (PSD) um argumento de campanha e, ao mesmo tempo, expõe o tamanho do problema que ele precisa resolver nas próximas semanas. O ex-governador de Goiás chega a 40% numa eventual disputa de segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas permanece com apenas 5% quando todos os candidatos estão colocados na urna. Esse contraste talvez seja o principal recado da pesquisa para Caiado.

No primeiro turno, Lula aparece com 39% e Flávio Bolsonaro (PL), com 33%. Os dois concentram 72% das intenções de voto. Depois deles vem um segundo pelotão praticamente apartado da disputa: Caiado tem 5%, Renan Santos (Missão), 4%, e Romeu Zema (Novo), 3%. Considerada a margem de erro de dois pontos, os três estão tecnicamente empatados.

Caiado, portanto, ainda não trava sua principal batalha contra Lula. O primeiro adversário é a própria polarização. E, dentro dela, Flávio Bolsonaro.

O senador já ocupa o espaço que Caiado pretende disputar: o de principal nome capaz de reunir o voto contrário ao presidente. A diferença é que Flávio chega a essa etapa com 33% das intenções de voto, enquanto o candidato do PSD tenta convencer o eleitor de que poderia ser mais competitivo caso conseguisse alcançar o segundo turno. É uma equação complicada porque a Datafolha oferece elementos para sustentar esse discurso.

Contra Lula, Caiado chega a 40%, diante de 47% do presidente. Romeu Zema marca 38% contra 48%. Renan Santos fica com 37% diante de 47%. Entre os candidatos que hoje estão fora da dupla que lidera a eleição, Caiado apresenta o melhor desempenho numa disputa direta com Lula. Flávio, porém, continua mais perto. O confronto entre ele e o presidente registra 47% a 43%.

O ponto central é outro. Caiado sai de 5% no primeiro turno para 40% no segundo. Isso significa que boa parte desse eleitorado não é necessariamente caiadista. Trata-se, em grande medida, de um voto que se organiza contra Lula quando restam apenas duas opções na urna. Acontece o mesmo, em proporções diferentes, com Zema e Renan.

A vantagem política de Caiado está em demonstrar capacidade de absorver essa parcela do eleitorado. A desvantagem está em ainda não ter encontrado o caminho para fazer esse voto chegar até ele antes que o segundo turno seja definido.

O paralelo com Ciro em 2018

Os números também reforçam uma análise que já fiz aqui semanas atrás. A situação de Caiado guarda semelhanças com a campanha de Ciro Gomes em 2018.

Naquela eleição, Ciro disputava a Presidência pelo PDT e apresentava desempenho competitivo nas simulações de segundo turno. Em setembro, o Datafolha chegou a apontá-lo como o único candidato que venceria todos os adversários testados. Num dos levantamentos, Ciro marcava 45% contra 39% de Jair Bolsonaro. Dias depois, ampliou a vantagem para 48% a 38%. O problema estava antes.

Ciro não conseguiu transformar aquela competitividade numa eventual segunda rodada em força suficiente para alcançá-la. Na reta final, os levantamentos o mantinham na faixa de 11%, enquanto Bolsonaro e Fernando Haddad consolidavam a polarização. Ciro terminou o primeiro turno com 12,47% dos votos válidos e ficou fora da disputa final. É exatamente aí que a comparação interessa a Caiado.

Assim como Ciro fez em 2018, o candidato do PSD aposta no argumento da elegibilidade. Tem repetido que reúne condições para derrotar Lula num segundo turno e tenta convencer o eleitor de direita de que a melhor maneira de vencer o presidente seria trocar o candidato que hoje ocupa a segunda colocação.

A Datafolha oferece alguma munição para esse discurso, mas não resolve sua contradição. Para provar que pode derrotar Lula no segundo turno, Caiado primeiro precisa chegar ao segundo turno. Ciro também tinha números que alimentavam esse argumento oito anos atrás. Faltou motor eleitoral para ultrapassar a barreira da primeira rodada.

O relógio eleitoral

Existe, por fim, uma diferença importante entre as pesquisas anteriores e a atual: a campanha começou oficialmente. Caiado terá propaganda eleitoral, debates, entrevistas e exposição nacional para tentar aumentar seu conhecimento fora de Goiás.

A partir de agora, entretanto, também diminui o espaço para atribuir seus 5% exclusivamente à falta de campanha. Os próximos levantamentos começarão a medir se essa exposição produz conversão em voto. A Datafolha não diz que Caiado está fora do jogo.

Ao contrário, mostra que existe um eleitorado potencial disposto a escolhê-lo numa disputa contra Lula. Mas também mostra algo mais importante. Potencial eleitoral e voto são coisas diferentes. Ciro Gomes aprendeu isso em 2018. Caiado tem pouco mais de um mês para tentar evitar o mesmo roteiro.


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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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