Ministro do Turismo, Celso Sabino avisa a Lula que vai entregar o cargo (Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil)

Ministro do Turismo, Celso Sabino avisa a Lula que vai entregar o cargo (Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil)

Ministro do Turismo, Celso Sabino avisa a Lula que vai entregar o cargo (Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil)

Ministro do Turismo, Celso Sabino avisa a Lula que vai entregar o cargo (Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil)

Ministro do Turismo decide deixar governo Lula após pressão do União Brasil

Ministro do Turismo decide deixar governo Lula após pressão do União Brasil

Pressionado pela sigla, ministro anuncia que entregará a carta de demissão após viagem de Lula aos EUA

20 de setembro de 2025 às 08:02

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Política

Ministro do Turismo se despede do Governo após pressão do União Brasil

A novela da presença do União Brasil no governo Lula ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (19). O ministro do Turismo, Celso Sabino, comunicou pessoalmente ao presidente, no Palácio da Alvorada, que vai deixar o cargo. Foi uma conversa de mais de uma hora, na qual Sabino explicou que não resistiria à ordem de seu partido. As informações são do Estadão.

A sigla deu um ultimato aos filiados: ou pediam exoneração em até 24 horas ou enfrentariam sanções. A determinação saiu na quinta-feira, em meio ao acirramento das tensões entre o União Brasil e o Planalto. Sabino, deputado pelo Pará e no comando da pasta desde julho de 2023, tentou negociar uma saída honrosa, mas acabou cedendo. Pediu apenas alguns dias para cumprir agendas e entregar a carta de demissão após a volta de Lula de Nova York, na próxima semana.

A pressão do partido

O gesto de Antonio Rueda, presidente da sigla, não se limitou ao rompimento. A direção nacional passou a insinuar que o governo estaria por trás das reportagens que ligaram seu nome ao Primeiro Comando da Capital. Rueda nega qualquer envolvimento com a facção, mas a crise interna empurrou o União Brasil para longe do Planalto.

O ataque foi rebatido pela ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, que repudiou o tom da nota do partido. Para ela, não há cabimento em culpar o governo pelas investigações conduzidas pela Polícia Federal. A PF, lembrou a ministra, tem independência funcional e não atua sob ordem de políticos.

Perdas estratégicas

A saída de Sabino fragiliza Lula em um ponto sensível: a organização da COP30, que será realizada em Belém em 2025. O ministro era peça-chave na articulação logística e política da conferência. Sua ausência abre uma lacuna que o governo precisará preencher em tempo recorde.

O episódio expõe mais uma fissura na já complicada relação de Lula com partidos do centrão. O União Brasil, que chegou a controlar três ministérios, agora empurra seus quadros para fora da Esplanada. O movimento agrava a instabilidade da base aliada, a poucos meses de votações cruciais no Congresso.

No balanço desta semana, o governo perdeu um aliado estratégico na Amazônia e ganhou mais uma frente de atrito em Brasília. Lula voltará dos Estados Unidos com a missão de reorganizar não apenas a política externa, mas também o tabuleiro doméstico, que a cada dia se mostra mais instável.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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