Delegado Waldir anunciou pedido contra correligionária após ser alvo de ação eleitoral, mas avaliação interna é de que medida enfrenta resistência
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Política
O pedido de expulsão da candidata a deputada estadual Arianne Cândido do União Brasil, anunciado pelo candidato a deputado federal Delegado Waldir, dificilmente deve prosperar dentro do partido. A avaliação é de interlocutores da legenda ouvidos pelo Blog do DK após o embate entre os dois correligionários chegar à Justiça Eleitoral.
Waldir afirmou nesta quarta-feira (12) que entrou com o pedido de expulsão depois de tomar conhecimento da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) apresentada por Arianne. A candidata pede que o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás investigue suposto abuso de poder político e uso eleitoral da máquina pública durante a passagem de Waldir pela presidência do Detran-GO.
Nos bastidores do União Brasil, porém, a leitura é de que o anúncio de Waldir não significa que Arianne esteja perto de deixar a legenda. Interlocutores ouvidos pelo Blog do DK avaliam que não há, neste momento, ambiente político favorável à expulsão.
O estatuto do União estabelece que processos disciplinares passam inicialmente pelo Conselho de Ética, responsável pela instrução e emissão de parecer, antes de julgamento pela instância executiva competente. A expulsão é prevista para casos considerados de “extrema gravidade” ou de infidelidade partidária, com direito ao contraditório e à ampla defesa.
Quem vai julgar o pedido
Há outro ingrediente que deve dificultar ainda mais todo o processo: Antes de passar pelo Conselho de Ética, quem deve apreciar o pedido apresentado por Waldir são justamente dois de seus desafetos: o prefeito Sandro Mabel comanda o diretório municipal do União Brasil, enquanto Bruno Peixoto, presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), comanda o diretório estadual.
A crise começou após Arianne apresentar uma AIJE baseada, principalmente, em uma gravação divulgada pelo Goiás 24 Horas. No material, Waldir aparece conversando com uma servidora do Detran sobre o credenciamento de instrutores autônomos e afirma que “são 7 mil pessoas que estão com o Delegado Waldir”.
Waldir nega qualquer irregularidade. Ao Blog do DK, disse que a fala estava relacionada à defesa do modelo de instrutores autônomos e à redução dos custos para obtenção da CNH. Além do pedido de expulsão, anunciou que pretende adotar medidas criminais, cíveis e eleitorais contra Arianne.
O ex-presidente do Detran também atribuiu motivação política à ação e afirmou que Arianne atuaria a serviço da Prefeitura de Goiânia em razão das críticas que ele tem feito à administração municipal. Waldir não apresentou elementos que comprovem essa vinculação.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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