Carla Lacerda, ao lado de Domingos Ketelbey (Foto: Divulgação)

Carla Lacerda, ao lado de Domingos Ketelbey (Foto: Divulgação)

Carla Lacerda, ao lado de Domingos Ketelbey (Foto: Divulgação)

Carla Lacerda, ao lado de Domingos Ketelbey (Foto: Divulgação)

Livro sobre o Césio-137 coloca memória dos sobreviventes em pauta no próximo Domingos Conversa

Livro sobre o Césio-137 coloca memória dos sobreviventes em pauta no próximo Domingos Conversa

Obra de Carla Lacerda vai ao topo das vendas e reacende discussão sobre memória e omissões quase 40 anos após a tragédia

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Tem histórias que não terminam quando a emergência acaba. Desastres que seguem vivos nas marcas, na memória e no silêncio de quem ficou. Em Goiânia, o césio-137 é uma delas e volta ao centro do debate impulsionado pela série Emergência Radioativa e pelo livro Sobreviventes do Césio-137, de Carla Lacerda, que voltou a figurar entre os mais vendidos do país.

A obra, construída a partir da escuta direta das vítimas, desloca o foco do acidente para o que veio depois. “Eu queria trazer à tona o discurso das vítimas. Era sempre o médico falando, o físico falando. Mas e a vítima?” . É desse ponto que parte o novo episódio do Domingos Conversa, gravado na rua, em um dos locais diretamente ligados à disseminação do material radioativo.

No local, o vazio físico dialoga com a ausência de respostas. “Não há uma placa, não há uma faixa”, observa Carla sobre o lote concretado que marcou o início da tragédia . A falta de um memorial, promessa antiga, segue sem solução. “A única coisa que falta é vontade política”.

Quase quatro décadas depois, o impacto permanece na vida de quem teve contato com o césio. “É como se eu tivesse vivido duas vidas”, relata um dos sobreviventes ouvidos pela autora . “As questões psicológicas perduram até hoje. É algo para a vida toda”, acrescenta Carla ao descrever efeitos que não se encerraram em 1987.

A nova onda de interesse sobre o tema, impulsionada pela série Emergência Radioativa, da Netflix, já produziu efeitos. “A série causou isso”, diz, ao citar a pressão recente por medidas voltadas às vítimas. Ainda assim, o ponto central permanece em aberto. “As vítimas querem que a história seja preservada e contada”, afirma. O alerta é direto. “Quando essas pessoas morrerem, quem vai falar do acidente?”.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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Henry Almeida