Paciente de seis meses recebeu a terapia gênica em dose única na quarta-feira; medicamento foi fornecido pelo Ministério da Saúde
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Cidades
O Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad) realizou nesta quarta-feira (12) a primeira infusão do Zolgensma em sua história. O medicamento, usado no tratamento da Atrofia Muscular Espinhal (AME) 5q, foi aplicado em dose única em um paciente de seis meses, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e tem valor estimado em R$ 10,457 milhões.
É um dos tratamentos mais caros disponíveis no mundo para doenças raras. A terapia gênica atua sobre a causa da AME e fornece ao organismo uma cópia funcional do gene responsável pela produção da proteína necessária à sobrevivência dos neurônios motores. A medicação não é de uso contínuo: a aplicação é única.
O custo foi bancado pelo Ministério da Saúde, que forneceu o medicamento. A estrutura assistencial, os fluxos internos e o acompanhamento do paciente ficaram a cargo do hospital estadual. Em ano pré-eleitoral, a conta divide crédito entre a União e o governo de Goiás, cada um responsável por uma ponta do procedimento.
Para chegar à infusão, o paciente passou pelas etapas previstas nos protocolos do SUS, incluindo exames e análise dos critérios de elegibilidade. O Hecad, em paralelo, montou os fluxos de assistência e capacitou as equipes envolvidas na administração do medicamento e nos cuidados antes, durante e depois da aplicação.
Segundo a diretora técnica assistencial do Hecad, Flávia Godoy, a operação não se resume ao dia da infusão. "É um processo que vai muito além do momento da infusão. Cada etapa exige avaliação criteriosa, preparação da equipe e acompanhamento do paciente. O cumprimento dos protocolos e a atuação integrada dos profissionais são fundamentais para que o procedimento seja realizado com segurança", afirmou.
A AME 5q é uma doença genética rara e progressiva. Ela compromete os neurônios motores responsáveis por movimento, respiração e deglutição, e provoca perda progressiva de força e massa muscular. O diagnóstico precoce é o que define o acesso ao tratamento, porque os critérios de elegibilidade do SUS para a terapia gênica são estreitos e ligados à idade do paciente.
Na prática, a primeira infusão coloca o Hecad no grupo restrito de unidades públicas habilitadas a executar esse tipo de procedimento em Goiás. Habilitação, no caso, significa equipe treinada e fluxo assistencial validado, requisitos que precisam ser mantidos para que novas indicações não parem na fila.
O paciente segue sob acompanhamento da equipe do hospital. O monitoramento pós-infusão é parte do tratamento e vai medir a evolução clínica da criança nas próximas semanas, o primeiro teste concreto do protocolo montado pelo hospital.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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