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Goianos correm para limpar o nome: negociação de dívidas cresce 36% no Estado

Goianos correm para limpar o nome: negociação de dívidas cresce 36% no Estado

Goiás tem 2,7 milhões de inadimplentes e quase R$ 20 bilhões em dívidas

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Economia

Os goianos estão buscando mais alternativas para colocar as contas em dia. O número de acordos para renegociação de dívidas em Goiás cresceu 36% entre maio e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Dados da Serasa mostram que foram realizados 673.581 acordos entre 5 de maio e 31 de agosto deste ano. No período usado para comparação, entre 6 de maio e 1º de setembro de 2025, haviam sido registrados 496.686 acordos no Estado.

O movimento acontece diante de um cenário expressivo de endividamento. Em agosto, Goiás tinha 2.713.388 consumidores inadimplentes, responsáveis por 10.622.731 dívidas.

Somados, os débitos dos goianos chegavam a R$ 19.927.155.837 (dezenove bilhões, novecentos e vinte e sete milhões, cento e cinquenta e cinco mil e oitocentos e trinta e sete reais). O valor médio das dívidas por inadimplente era de R$ 7.344,01, enquanto cada dívida tinha valor médio de R$ 1.875,90.

Goiânia concentra mais de R$ 5,2 bilhões em dívidas

O levantamento estadual também detalha a situação nas principais cidades goianas. Em Goiânia, eram 634.314 consumidores inadimplentes, acumulando 2.500.612 dívidas.

O valor total chegava a R$ 5.247.314.222 (cinco bilhões, duzentos e quarenta e sete milhões, trezentos e quatorze mil e duzentos e vinte e dois reais). Cada inadimplente da capital tinha, em média, R$ 8.272,42 em dívidas.

Em Anápolis, eram 149.920 inadimplentes e 612.514 dívidas, que somavam R$ 1.138.743.742 (um bilhão, cento e trinta e oito milhões, setecentos e quarenta e três mil e setecentos e quarenta e dois reais). O valor médio por consumidor inadimplente era de R$ 7.595,68.

Confira os números:


Cidade

Inadimplentes

Número de dívidas

Valor total

Goiânia

634.314

2.500.612

R$ 5.247.314.222

Anápolis

149.920

612.514

R$ 1.138.743.742

Rio Verde

86.853

352.257

R$ 776.389.085

Luziânia

84.394

365.469

R$ 575.411.137

Itumbiara

43.404

199.007

R$ 346.722.228

Jataí

41.477

169.598

R$ 346.237.802

Catalão

39.413

163.885

R$ 302.176.361

Porangatu

13.736

44.376

R$ 84.138.108

Os números constam na tabela estadual da Serasa referente a agosto.

Bancos e cartões lideram as dívidas em Goiás

Entre as principais categorias de dívidas dos goianos, bancos e cartões representam 27,92%. Em seguida aparecem as financeiras, com 19,92%, e serviços, com 16,47%.

As chamadas utilities representam 14,55%; varejo, 7,31%; telecomunicações, 5,42%; securitizadoras, 2,59%; e cooperativas, 2,57%.

Mais de 7 mil acordos em Goiás em um único dia


O avanço das renegociações também apareceu em uma ação realizada pela Serasa em 9 de setembro. Naquele dia, foram registrados 218.260 acordos em todo o Brasil.

Somente em Goiás, 7.293 acordos foram fechados em um único dia. Segundo o material da Serasa, o resultado colocou o Estado entre aqueles com maior volume de negociações durante a iniciativa.

Para Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira, condições mais favoráveis de negociação podem ajudar o consumidor a reorganizar o orçamento. “Quando o consumidor encontra condições melhores para negociar, ele volta a organizar as contas antes que a dívida se acumule ainda mais”, afirma.

Inadimplência ainda atinge quase 84 milhões no Brasil

O aumento das negociações ocorre enquanto o crescimento da inadimplência desacelerou no país. Em agosto, o Brasil tinha 83,98 milhões de consumidores negativados, contra 83,93 milhões no mês anterior, avanço de 0,06%, o menor incremento mensal registrado em 2026, segundo o material.

Entre maio e agosto deste ano, foram registrados 19,7 milhões de acordos no país, também uma alta de 36% em relação ao mesmo período de 2025.

No mesmo intervalo, o número de consumidores que procuraram regularizar pendências passou de 7,1 milhões para 9,4 milhões. A Serasa relaciona esse movimento aos mutirões de negociação e à ampliação das condições facilitadas de pagamento oferecidas durante o ano.

Renegociar é só o primeiro passo, alerta especialista

Para a especialista da Serasa, conseguir negociar o débito resolve a pendência imediata, mas é necessário reorganizar as finanças para reduzir o risco de um novo endividamento. “Renegociar a dívida resolve o problema imediato, mas é a educação financeira que evita que ele volte a se repetir. Por isso, sempre buscamos ajudar os brasileiros com conteúdos sobre educação financeira, cenário de crédito e demais informações que ajudem o consumidor a entender melhor o seu dinheiro, evitando que o ciclo do endividamento se repita”, afirma Aline Vieira.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.

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