Deputado estadual eleito admite colocar o próprio nome na disputa e não descarta entendimento com adversários para composição da Mesa Diretora
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Política
O vereador de Goiânia e deputado estadual eleito Fabrício Rosa (PT) defendeu que o Partido dos Trabalhadores apresente uma candidatura própria à presidência da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Em entrevista ao Domingos Conversa, nesta sexta-feira (9), o parlamentar elogiou a trajetória do ex-presidente da Casa, Lissauer Vieira (PL), e admitiu a possibilidade de participar de uma composição administrativa com partidos de oposição ao PT.
"Por mim, o PT deveria lançar uma candidatura própria. O Partido dos Trabalhadores deveria ter a coragem de lançar uma candidatura própria, mas eu serei voto vencido", afirmou Fabrício.
O deputado eleito também revelou que já começou a receber contatos de lideranças interessadas na disputa pelo comando da Assembleia. Entre os nomes mencionados estão Paulo Cezar Martins, Lissauer Vieira e Romário Policarpo, este último ligado ao grupo do atual presidente da Alego, Bruno Peixoto.
Segundo Fabrício, as primeiras conversas devem ocorrer na próxima semana. Ele ressaltou que ainda não assumiu compromisso com nenhum dos grupos envolvidos na disputa.
Elogios a Lissauer
Questionado sobre a possibilidade de o PT participar de uma composição com Lissauer Vieira, filiado ao PL, Fabrício fez uma avaliação positiva do ex-presidente da Assembleia, apesar das divergências ideológicas entre os dois partidos.
"O Lissauer, apesar de ser do PL, ele não é um fascista. Eu nunca vi o Lissauer fazendo discurso racista, homofóbico, contra a democracia, contra as vacinas", declarou.
O petista também afirmou que Lissauer teve uma "gestão republicana" durante sua passagem pela presidência da Alego.
Para Fabrício, a eleição da Mesa Diretora deve ser tratada como uma discussão sobre a distribuição dos espaços administrativos da Assembleia, sem necessariamente representar alinhamento político entre os partidos.
"Eu não vejo uma dificuldade em, administrativamente, não politicamente, os blocos e os campos se organizarem para essa divisão dos espaços administrativos", explicou.
Fabrício admite entrar na disputa
Durante a entrevista, o deputado eleito também foi questionado se estaria disposto a apresentar seu próprio nome como candidato à presidência da Alego.
"Há uma possibilidade, sim. A possibilidade talvez seja pequena", respondeu.
Fabrício afirmou que pretende levar a proposta de candidatura própria para discussão interna no PT, embora reconheça que sua posição pode não encontrar apoio majoritário na bancada.
"Vou levar a discussão para dentro do Partido dos Trabalhadores. Acredito que o PT deveria ter candidatura própria", reforçou.
O parlamentar condicionou qualquer iniciativa individual a uma decisão coletiva da legenda.
PT quer espaço nas comissões
Além da presidência, Fabrício apontou três comissões que considera prioritárias para a atuação petista na próxima legislatura: Educação, Servidor Público e Direitos Humanos.
"O PT jamais deve abrir mão da Comissão de Educação", afirmou, acrescentando que a legenda também deve buscar protagonismo nas discussões sobre funcionalismo público e direitos humanos.
A defesa de participação nas comissões acompanha a estratégia de assegurar espaços institucionais para a bancada, independentemente de quem seja escolhido para comandar a Assembleia.
Oposição a Daniel Vilela
Apesar da disposição para negociar a composição administrativa da Alego, Fabrício garantiu que manterá uma atuação de oposição ao governador Daniel Vilela (MDB).
"Sou um deputado estadual de oposição, mas uma oposição respeitosa e democrática", afirmou.
O petista disse que pretende fiscalizar o Executivo e apresentar críticas fundamentadas em dados e informações concretas, tanto no plenário quanto nas redes sociais e nas ruas.
A posição indica que eventuais entendimentos para a formação da Mesa Diretora não significarão adesão à base governista. Fabrício defende separar as negociações administrativas da Assembleia das divergências políticas e programáticas com o governo estadual.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.
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