Deputado estadual eleito avalia que legenda poderia ter alcançado resultado melhor em Goiás, se tivesse lançado Valério Luiz
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Política
O vereador de Goiânia e deputado estadual eleito Fabrício Rosa (PT) criticou a condução do processo de escolha do candidato petista ao governo de Goiás nas eleições de 2026 e defendeu uma renovação nos comandos da legenda. Em entrevista ao Domingos Conversa, nesta sexta-feira (9), o parlamentar avaliou que o partido poderia ter alcançado um resultado mais expressivo na disputa pelo Palácio das Esmeraldas.
A discussão envolve a escolha do ex-deputado estadual Luis César Bueno, que acabou representando o PT na eleição, em detrimento de outros nomes que participaram das articulações internas, entre eles o jornalista Valério Luiz. Na avaliação discutida durante a entrevista, a alternativa representada por Valério poderia ter permitido ao partido ampliar seu desempenho eleitoral.
Questionado sobre a demora do PT para definir sua candidatura e se o processo poderia ter produzido um resultado melhor, Fabrício respondeu: "Com certeza poderia ter sido melhor".
Luis César Bueno terminou a eleição em terceiro lugar, à frente do ex-governador Marconi Perillo (PSDB), mas distante dos dois primeiros colocados, Daniel Vilela (MDB) e Wilder Morais (PL).
Críticas ao comando do PT
A avaliação sobre a disputa estadual veio acompanhada de críticas à organização interna do Partido dos Trabalhadores. Fabrício afirmou que a legenda enfrenta dificuldades para renovar suas lideranças e adaptar seus métodos de atuação.
"O PT está envelhecido e eu não tenho nenhum problema de falar sobre isso", declarou.
Segundo o deputado eleito, dirigentes históricos continuam exercendo influência sobre as decisões partidárias, enquanto integrantes de novas gerações encontram dificuldades para ocupar posições de comando.
"O partido precisa se reformular, o partido precisa se readequar, mudar as suas metodologias. Isso não significa que o partido não seja democrático", ponderou.
Questionado diretamente sobre a necessidade de mudanças nos diretórios, Fabrício defendeu a revisão dos métodos e dos nomes que ocupam os postos de direção. "Nós precisamos de caras novas para ocupar os espaços de poder", afirmou.
“Ninguém abandona o poder”
Fabrício também abordou as disputas internas e a resistência à renovação partidária. Para ele, a ascensão de novas lideranças depende de maior participação nas instâncias de decisão. "Ninguém abandona o poder. O poder é tomado", declarou.
O parlamentar afirmou que a juventude petista ainda enfrenta obstáculos para crescer politicamente dentro da legenda, embora tenha ressaltado o respeito às trajetórias de dirigentes históricos.
"Não estou criminalizando ninguém que está no poder, mas as juventudes são desvalorizadas e é difícil ocupar esse espaço", disse.
Desafio eleitoral
Eleito com mais de 81 mil votos, Fabrício atribuiu parte de seu desempenho à comunicação nas redes sociais e à mobilização de jovens eleitores. Segundo ele, o PT precisa compreender melhor as mudanças no comportamento do eleitorado e atualizar sua forma de dialogar com a sociedade.
O parlamentar citou a atuação de novas lideranças progressistas nas plataformas digitais como exemplo de caminhos que a legenda poderia explorar.
Para Fabrício, a reorganização do partido precisa ir além da substituição de dirigentes e alcançar a própria estratégia eleitoral, especialmente depois de uma disputa em que o PT não conseguiu se aproximar dos candidatos mais votados ao governo de Goiás.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.
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