Alberto Nascimento ao lado de Domingos Ketelbey, editor do Blog do DK (Foto: Tainara Maia)

Alberto Nascimento ao lado de Domingos Ketelbey, editor do Blog do DK (Foto: Tainara Maia)

Alberto Nascimento ao lado de Domingos Ketelbey, editor do Blog do DK (Foto: Tainara Maia)

Alberto Nascimento ao lado de Domingos Ketelbey, editor do Blog do DK (Foto: Tainara Maia)

Especialista vê mudança no consumo e diz que futuro da cerveja passa por experiência e saudabilidade

Especialista vê mudança no consumo e diz que futuro da cerveja passa por experiência e saudabilidade

Alberto Nascimento afirma que geração Z deve redefinir mercado nos próximos anos, com avanço de produtos sem álcool, low carb, sem glúten e de menor teor calórico

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Gastronomia

O sommelier de cervejas Alberto Nascimento afirmou que o futuro da cerveja em Goiás, no Brasil e no mundo passa por uma mudança de cultura de consumo. Em entrevista ao Blog do DK, durante o Goiás Gastronomia, ele disse que a geração Z tende a redefinir o mercado nos próximos anos, com maior interesse por experiência sensorial, moderação e produtos associados à saudabilidade.

“O futuro da cerveja do Brasil, do mundo, da bebida alcoólica, está sendo redefinido”, afirmou Alberto. Segundo ele, há uma leitura apressada de que as novas gerações simplesmente deixarão de consumir álcool. Para o especialista, o movimento é mais complexo.

Alberto citou dados do mercado global de bebidas para sustentar a mudança. Segundo ele, em 2025, a produção de vinho na França ficou 16% abaixo da média dos cinco anos anteriores, enquanto o mundo registrou a menor produção de vinho desde 1957. No Brasil, afirmou, o mercado de cerveja caiu 4,5% no ano passado.

“O que está acontecendo de fato é que tem uma mudança de cultura de consumo. A geração Z, que vai ditar o ritmo do consumo nos próximos 30 anos, prefere um consumo pela experiência, o álcool como algo associado à experiência, do que o álcool como algo relacionado à socialização ou ao combate ao estresse, que é uma cultura das gerações anteriores”, disse.

Na avaliação do sommelier, essa mudança abre espaço para cervejas artesanais com maior apelo sensorial, mas também para produtos com baixo teor alcoólico, menor teor calórico, sem glúten e low carb. “Acredito que esse seja o futuro da cerveja artesanal goiana, do Brasil e do mundo”, afirmou.

Biotecnologia muda o mercado

Alberto Nascimento avalia que o mercado goiano já acompanha essa movimentação. Segundo ele, cervejarias têm buscado desenvolver produtos alinhados às novas demandas de consumo, mas o avanço mais decisivo veio da biotecnologia.

“Hoje, a gente consegue colocar no mercado produtos sem álcool, baixo álcool, sem glúten, low carb, baixo teor calórico, com características sensoriais muito próximas dos produtos convencionais. Isso graças à biotecnologia”, afirmou.

O especialista explicou que a indústria conseguiu isolar compostos aromáticos de leveduras e compostos lupulados, permitindo a criação de produtos naturais com maior proximidade sensorial em relação às cervejas tradicionais.

Um dos exemplos citados por ele é a Ávida, marca mineira sem álcool na qual atua como consultor. A proposta, segundo Alberto, é entregar ao consumidor uma cerveja sem álcool com perfil próximo ao da cerveja de boteco, mais conhecida pelo público brasileiro.

“Nós estamos falando de uma cerveja que o brasileiro conhece muito bem, e entregamos esse produto sem álcool. Porque você tem coadjuvantes de produção que trazem toda essa tecnologia embarcada para o produto não ser aguado, não ser ralo, para não ser aquela cerveja sem álcool doce”, disse.

Alberto explicou que, no caso da cerveja, é possível controlar a fermentação para limitar a produção de álcool. No Brasil, produtos com até 0,5% de teor alcoólico são considerados não alcoólicos. Segundo ele, o vinho também passa por esse processo, mas enfrenta maior dificuldade técnica para alcançar resultado semelhante.

“No vinho, eu consigo desalcoolizar, que é o produto fabricado normalmente com álcool e depois, por uma separação, retirar o álcool do produto acabado para entregá-lo sem álcool”, explicou.

Goiás Gastronomia aproxima mercado e consumidor

Para Alberto Nascimento, eventos como o Goiás Gastronomia cumprem papel importante ao aproximar produtores, especialistas e consumidores. Segundo ele, a gastronomia ajuda a traduzir tendências de mercado em experiência direta para o público.

“Esse tipo de evento é importantíssimo para aproximar todo esse trabalho do público consumidor, que é quem realmente importa. Porque para eu saber disso, eu preciso consumir. Preciso experimentar a cerveja, saber os ingredientes que ela tem, ter coragem de comprar para experimentar”, afirmou.

O sommelier disse que o festival gera experimentação e permite mostrar ao público o trabalho desenvolvido por marcas, produtores e profissionais do setor. Ele também citou oficinas realizadas durante a programação, com temas como harmonização entre cerveja e gastronomia, moderação no consumo e comportamento da geração Z.

“São oportunidades que a gente tem de reunir o público consumidor e falar: é isso aqui que a gente está querendo entregar. E aí você conecta demanda com oferta”, afirmou.

A entrevista foi concedida durante o Goiás Gastronomia, realizado no Parque Mutirama, em Goiânia, dentro da programação da Semana S do Comércio 2026. O evento reúne chefs, produtores, operações gastronômicas, oficinas, aulas-show, experiências sensoriais e atrações culturais voltadas à valorização da culinária goiana.


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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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