Fabricio Rosa participa do Domingos Conversa (Foto: Divulgação)

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DOMINGOS CONVERSA #91: O FUTURO DA ESQUERDA EM GOIÁS, A AUTOCRÍTICA DO PT E AS DISPUTAS NA CÂMARA E NA ALEGO, COM FABRÍCIO ROSA

DOMINGOS CONVERSA #91: O FUTURO DA ESQUERDA EM GOIÁS, A AUTOCRÍTICA DO PT E AS DISPUTAS NA CÂMARA E NA ALEGO, COM FABRÍCIO ROSA

Deputado estadual eleito analisa os desafios da esquerda após as urnas e revela os bastidores das articulações políticas em Goiás.

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Domingos Conversa

Podcast

O vereador de Goiânia e deputado estadual eleito Fabrício Rosa (PT) fez uma avaliação crítica dos rumos do Partido dos Trabalhadores em Goiás, defendeu mudanças no comando da legenda e revelou detalhes das negociações para a formação das Mesas Diretoras da Câmara Municipal de Goiânia e da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Em entrevista ao episódio 91 do Domingos Conversa, exibido na sexta-feira (9), o parlamentar também abordou o resultado das eleições de 2026, o futuro da esquerda, a disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro e os desafios de sua atuação na oposição ao governador Daniel Vilela (MDB).

Eleito com 81.540 votos, a segunda maior votação entre os candidatos à Assembleia Legislativa, Fabrício chega à próxima legislatura com o discurso de renovação política. O resultado, segundo ele, demonstra que existe espaço para ampliar o alcance da esquerda em um estado onde o campo conservador mantém forte presença eleitoral.

Ao longo da entrevista, o petista não poupou críticas à própria legenda. Afirmou que o PT enfrenta dificuldades para incorporar novas lideranças, questionou os métodos adotados por dirigentes históricos e avaliou que o jornalista Valério Luiz poderia ter levado o partido a um resultado mais expressivo na disputa pelo governo de Goiás, caso tivesse sido escolhido no lugar do ex-deputado estadual Luis César Bueno.

Fabrício também confirmou que a bancada petista fechou apoio a Thiallu Guiotti na eleição para a presidência da Câmara de Goiânia, após negociar a manutenção de espaços institucionais e uma vaga na Mesa Diretora. Na Alego, defendeu candidatura própria do PT, admitiu apresentar seu nome e elogiou o ex-presidente Lissauer Vieira (PL), sem descartar uma composição administrativa com adversários ideológicos.

“O PT está envelhecido”

Uma das declarações mais contundentes da entrevista foi a cobrança por mudanças na estrutura de comando do Partido dos Trabalhadores. Fabrício avaliou que a legenda precisa atualizar seus métodos de organização e comunicação, sobretudo para dialogar com as novas gerações.

"O PT está envelhecido e eu não tenho nenhum problema de falar sobre isso", afirmou.

Segundo ele, a permanência das mesmas lideranças nas posições de direção dificulta a incorporação de novas práticas e o surgimento de outros nomes com capacidade de mobilização eleitoral.

Fabrício observou que o PT tem mais de quatro décadas de existência e ainda conta com dirigentes que participaram de sua construção histórica. Para o deputado eleito, essa trajetória precisa ser respeitada, mas não pode impedir a modernização partidária.

"O partido precisa se reformular, o partido precisa se readequar, mudar as suas metodologias. Isso não significa que o partido não seja democrático", ponderou.

O parlamentar defendeu alterações nos diretórios e nas formas de organização da legenda em Goiás e no Brasil.

"Nós precisamos de caras novas para ocupar os espaços de poder", declarou.

Ao tratar das dificuldades enfrentadas por integrantes mais jovens para alcançar posições de liderança, Fabrício foi ainda mais enfático.

"Ninguém abandona o poder. O poder é tomado."

Ele ressaltou que não pretende desqualificar os dirigentes históricos, mas considera necessário ampliar as oportunidades de participação das novas gerações.

"Não estou criminalizando ninguém que está no poder, mas as juventudes são desvalorizadas e é difícil ocupar esse espaço", disse.

Valério Luiz poderia ter levado PT mais longe

A crítica à organização partidária também apareceu quando Fabrício analisou o processo de escolha do candidato do PT ao governo de Goiás.

O jornalista Valério Luiz participou das discussões internas como pré-candidato ao Palácio das Esmeraldas, mas a legenda decidiu lançar o ex-deputado estadual Luis César Bueno. Fabrício afirmou que defendia o nome de Valério e atribuiu a resistência à candidatura às dificuldades do partido em abrir espaço para novas lideranças.

"Porque o partido tem dificuldade de lidar com o novo, porque as pessoas que estão no poder têm dificuldade de dividir o poder", afirmou.

O deputado eleito disse acreditar que Valério poderia ter ampliado o alcance da campanha petista, principalmente pela familiaridade com a comunicação digital.

"Eu acreditava que o Valério Luiz, e aí com todo respeito ao Luis César, que é um amigo também, mas eu acreditava que o Valério Luiz levaria a campanha para mais longe, justamente pela jovialidade, pela inteligência, pela capacidade de estar mais próximo das redes sociais", declarou.

Fabrício, no entanto, fez questão de reconhecer o desempenho de Luis César Bueno, que recebeu aproximadamente 10% dos votos e terminou à frente do ex-governador Marconi Perillo (PSDB).

"Eu acho que ele foi muito bem, mas poderíamos ter ido melhor se fosse o Valério Luiz. Foi a minha discussão lá dentro", afirmou.

O petista reconheceu que o debate interno foi acirrado, mas sustentou que as divergências ocorreram dentro dos mecanismos democráticos da legenda. Segundo ele, depois da definição da candidatura, os diferentes grupos se reuniram em torno do nome escolhido.

Aava Santiago e a construção da esquerda para 2028

O futuro da esquerda em Goiânia também ocupou parte importante da conversa. Fabrício defendeu a formação de uma aliança ampla para disputar a Prefeitura em 2028 e admitiu a possibilidade de apoiar a vereadora Aava Santiago (PSB) como candidata ao Paço Municipal.

Aava enfrenta uma disputa judicial relacionada à cassação de seu mandato. Fabrício classificou a situação da aliada como uma injustiça e manifestou solidariedade à parlamentar.

"A Aava é uma das figuras mais brilhantes que eu conheço. Eu tenho um amor e um carinho muito especial pela Aava", afirmou.

O deputado eleito relatou que os dois mantêm contato frequente e destacou o apoio pessoal recebido da vereadora em momentos de desgaste político na Câmara.

Questionado sobre uma eventual candidatura de Aava à Prefeitura, Fabrício afirmou que ela reúne condições para disputar o cargo, embora não tenha antecipado um compromisso eleitoral.

"Ou candidata a prefeita ou candidata a vereadora. Acho que sim. Ela não pode ficar sem mandato, porque o povo precisa da voz dela", declarou.

Sobre a possibilidade de uma coalizão que tenha Aava como cabeça de chapa, respondeu que pretende trabalhar pela unidade do campo progressista, mas ressaltou que o PT deverá participar das decisões.

"Existe uma chance, e eu vou lutar por essa chance dessa coalizão ampla", disse.

Ao ser questionado se o partido poderia abrir mão da cabeça de chapa, Fabrício evitou uma definição antecipada.

"O Partido dos Trabalhadores é o maior partido de esquerda do Brasil, então isso precisa ser respeitado. Conversaremos."

Oposição a Sandro Mabel

Fabrício também antecipou que a esquerda deverá se reorganizar para fazer oposição ao prefeito Sandro Mabel (União Brasil) e construir uma alternativa eleitoral em 2028.

"E ele sofrerá a oposição da esquerda de Goiânia. A esquerda vai precisar se montar, se movimentar. A esquerda se movimentará", afirmou.

O parlamentar criticou a condução de políticas municipais que, em sua avaliação, prejudicam trabalhadores, comerciantes e servidores públicos.

Na construção de uma nova geração de lideranças progressistas, citou nomes como Zé Diogo, Valério Luiz e Flaviane, de Aparecida de Goiânia, destacando a atuação de militantes que já conquistaram espaço nas redes sociais e nos movimentos sociais.

Para Fabrício, a esquerda precisará combinar organização territorial, renovação de quadros e comunicação digital para ampliar sua presença eleitoral.

PT fecha apoio a Thiallu Guiotti na Câmara

Na entrevista, Fabrício revelou pela primeira vez que a bancada do PT na Câmara Municipal de Goiânia havia fechado questão em torno da candidatura de Thiallu Guiotti à presidência da Casa.

Segundo o parlamentar, a decisão foi tomada após uma reunião dos vereadores petistas com a presidente municipal da legenda, Neide.

"O PT fechou questão com o candidato Thiallu Guiotti", anunciou.

O acordo envolveu a manutenção dos espaços institucionais ocupados pelo partido e a participação na próxima Mesa Diretora. Fabrício explicou que a negociação não representava adesão política ao grupo do prefeito Sandro Mabel, mas uma discussão sobre a distribuição dos cargos administrativos do Legislativo.

O deputado eleito afirmou que o PT pretende preservar os espaços atualmente ocupados por seus representantes, incluindo a Comissão de Cultura, presidida por ele, e a Ouvidoria de Combate a Crimes de Intolerância, que recebe denúncias de racismo, homofobia e intolerância religiosa.

A preocupação também envolve a chegada de duas novas vereadoras à bancada petista, em decorrência da saída dos parlamentares eleitos para outros cargos.

"Nós conversamos para a manutenção desses espaços e também para que nós tivéssemos uma vaga na Mesa", explicou.

Fabrício criticou o fato de o PT ter ficado sem representação na composição anterior da Mesa Diretora. Segundo ele, o partido poderia ter recorrido à Justiça para questionar a distribuição dos cargos, mas optou por não judicializar a disputa.

Ao ser questionado sobre o que havia provocado a exclusão, atribuiu o resultado a "negociações mal feitas".

Desta vez, afirmou, houve entendimento com Thiallu.

"O futuro presidente, que é o Thiallu Guiotti, concordou com os nossos pedidos, e o Partido dos Trabalhadores apoiará o Thiallu Guiotti", declarou.

Questionado sobre tratar o candidato como presidente antes da eleição, Fabrício afirmou acreditar que a articulação estava consolidada, embora tenha reconhecido que mudanças poderiam ocorrer até a votação.

O parlamentar defendeu que a composição da Mesa respeite a proporcionalidade das forças representadas no plenário.

"Foi uma divisão republicana dos espaços", resumiu.

Fabrício defende candidatura própria do PT à presidência da Alego

Se na Câmara de Goiânia o PT decidiu apoiar uma candidatura de outro partido, na Assembleia Legislativa Fabrício defende uma estratégia diferente.

O deputado eleito afirmou que pretende levar à bancada petista a proposta de lançamento de uma candidatura própria à presidência da Alego, mesmo reconhecendo que poderá ficar isolado nessa posição.

"Por mim, o PT deveria lançar uma candidatura própria. O Partido dos Trabalhadores deveria ter a coragem de lançar uma candidatura própria, mas eu serei voto vencido", afirmou.

Fabrício revelou que já recebeu contatos de interessados na disputa pelo comando da Assembleia. Citou Paulo Cezar Martins, representantes de Lissauer Vieira e Romário Policarpo, este último associado ao grupo político do atual presidente, Bruno Peixoto.

As conversas, segundo ele, ainda estavam em estágio inicial. O parlamentar afirmou que havia sido convidado para reuniões na semana seguinte, mas não tinha compromisso firmado com nenhum dos grupos.

Ao ser questionado se poderia apresentar seu próprio nome para a presidência, admitiu a possibilidade.

"Há uma possibilidade, sim. A possibilidade talvez seja pequena", respondeu.

Fabrício ressaltou, contudo, que uma eventual candidatura dependeria de deliberação coletiva do PT.

"Vou levar a discussão para dentro do Partido dos Trabalhadores. Acredito que o PT deveria ter candidatura própria", reforçou.

Elogios a Lissauer, apesar das divergências com o PL

Outro momento da entrevista foi a avaliação positiva que Fabrício fez de Lissauer Vieira, ex-presidente da Alego e integrante do PL, partido de Flávio Bolsonaro.

Questionado sobre a possibilidade de participar de uma composição com o ex-presidente, o petista afirmou que as divergências ideológicas não impediriam um entendimento para a administração da Assembleia.

"O Lissauer, apesar de ser do PL, ele não é um fascista. Eu nunca vi o Lissauer fazendo discurso racista, homofóbico, contra a democracia, contra as vacinas", declarou.

Fabrício também avaliou que Lissauer conduziu uma "gestão republicana" quando presidiu a Casa.

Para o deputado eleito, é necessário distinguir a eleição da Mesa Diretora das votações de projetos de interesse do governo ou das disputas ideológicas entre os partidos.

"O que está em jogo ali é a divisão dos espaços de poder dentro da Assembleia Legislativa, as ouvidorias, os espaços ali dentro, as comissões", explicou.

O petista afirmou não ver obstáculos para que partidos de campos políticos diferentes negociem a ocupação desses postos.

"Eu não vejo uma dificuldade em, administrativamente, não politicamente, os blocos e os campos se organizarem para essa divisão dos espaços administrativos", afirmou.

Educação, servidores e direitos humanos como prioridades

Fabrício também estabeleceu as prioridades do PT nas negociações pela distribuição das comissões permanentes da Alego.

Segundo ele, a bancada deverá reivindicar participação de destaque em três áreas: Educação, Servidor Público e Direitos Humanos.

"O PT jamais deve abrir mão da Comissão de Educação", declarou.

O parlamentar defendeu que a legenda mantenha protagonismo nas discussões sobre funcionalismo público e na proteção de grupos socialmente vulnerabilizados.

Na avaliação de Fabrício, a presença petista nessas comissões é importante para assegurar espaço institucional às pautas que o partido tradicionalmente defende.

A composição das comissões, assim como a distribuição dos demais cargos administrativos, deverá integrar as negociações entre as bancadas na próxima legislatura.

Como Fabrício explica os mais de 81 mil votos

A entrevista também explorou o crescimento eleitoral de Fabrício, que saiu de uma votação de pouco mais de 7 mil votos para vereador em 2024 e alcançou 81.540 votos na disputa pela Assembleia Legislativa em 2026.

O resultado colocou o petista na segunda posição entre os deputados estaduais eleitos em Goiás.

Fabrício revelou que sua expectativa inicial era conquistar entre 30 mil e 35 mil votos. A campanha, entretanto, superou amplamente a projeção.

"De repente nós furamos todas as bolhas, conseguimos dialogar com muita gente, principalmente com a juventude", afirmou.

Segundo o parlamentar, a estratégia combinou presença nas redes sociais, viagens pelo interior e mobilização de diferentes segmentos sociais.

Fabrício relatou que a pré-campanha incluiu visitas a cerca de 50 municípios, mesmo antes da disponibilidade de recursos eleitorais. Também foram realizadas mais de 20 reuniões virtuais para discutir temas como saúde, educação e direitos sociais.

Durante a campanha, o grupo ampliou a presença pelo estado e construiu uma rede de apoiadores e candidatos aliados.

Entre as parcerias eleitorais, Fabrício mencionou candidaturas proporcionais do PT, PSB e outras legendas progressistas. A estratégia, segundo ele, foi não concentrar os esforços em uma única dobradinha para deputado federal.

O petista também destacou o custo relativamente baixo de sua campanha. Na entrevista, apresentou valores de aproximadamente R$ 104 mil em recursos partidários, R$ 50 mil próprios e R$ 50 mil provenientes de doações, totalizando cerca de R$ 204 mil.

Para ele, a votação demonstrou que organização política, trabalho de base e comunicação digital podem produzir resultados expressivos mesmo diante de campanhas com estruturas financeiras maiores.

Relação com Bia de Lima e disputas internas

Fabrício também comentou a relação com a deputada estadual Bia de Lima (PT), que havia projetado, em entrevista anterior ao Domingos Conversa, a reeleição dos três deputados petistas e a conquista de uma quarta cadeira pelo partido.

O parlamentar brincou com a previsão, lembrando que acabou se tornando o candidato mais votado da legenda.

Apesar do tom descontraído, fez questão de destacar que mantém boa relação com Bia e com os demais integrantes da bancada.

Fabrício reconheceu que existem divergências entre as diferentes correntes do PT, mas sustentou que o partido possui mecanismos para administrar os conflitos internos.

Na avaliação dele, a pluralidade de grupos é uma característica histórica da legenda, embora possa tornar mais demoradas decisões estratégicas, como a definição de candidaturas majoritárias.

Segurança pública e críticas à militarização

Sesc Mesa Brasil - Rede contra a fome e desperdício

Policial há 26 anos, Fabrício afirmou que a segurança pública será uma das principais áreas de atuação de seu mandato na Assembleia Legislativa.

O deputado eleito rejeitou a ideia de que o tema deva ser tratado exclusivamente por parlamentares identificados com propostas de endurecimento penal.

Ele lembrou sua trajetória como pesquisador da Universidade Federal de Goiás (UFG), com mestrado e doutorado na área, e sua participação na criação de organizações voltadas ao debate sobre segurança pública.

Entre elas, citou o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Movimento Policiais Antifascismo e uma rede de policiais LGBTQIA+.

Fabrício defendeu a desmilitarização das polícias, criticou o encarceramento em massa e questionou práticas policiais que, em sua avaliação, reproduzem a violência que deveriam combater.

"Nós apostamos numa polícia que enfrente a violência sem reproduzir a violência", afirmou.

O parlamentar também defendeu uma atuação policial baseada na prevenção de crimes, na mediação de conflitos e no respeito aos direitos individuais.

Questionado sobre a viabilidade política da desmilitarização diante do fortalecimento eleitoral da direita, reconheceu que a proposta encontra dificuldades crescentes.

Para ele, o debate sobre segurança pública precisa superar a polarização e incorporar evidências científicas e políticas de prevenção.

Críticas a delegado e defesa da diversidade

Durante a entrevista, Fabrício também reagiu a uma declaração atribuída ao delegado Yasser, que havia questionado sua identificação com a pauta da segurança pública em razão da atuação na defesa dos direitos LGBTQIA+.

"LGBT não pode ser policial?", questionou Fabrício, ao contestar a associação entre orientação sexual e capacidade de representar profissionais da segurança.

O petista afirmou que sua trajetória como policial e pesquisador demonstra que a defesa dos direitos humanos pode caminhar ao lado da atuação na área.

Na Assembleia, pretende defender a criação de estruturas específicas de proteção à população LGBTQIA+, incluindo um conselho estadual, mecanismos de enfrentamento à homofobia e políticas educacionais voltadas ao respeito à diversidade.

Reforma agrária, cultura e proteção à infância

Além da segurança pública e dos direitos LGBTQIA+, Fabrício apresentou outras prioridades para o mandato estadual.

Na área cultural, defendeu a ampliação dos editais de fomento, o fortalecimento do Fundo Estadual de Cultura e a expansão dos recursos destinados à produção artística em Goiás.

Também destacou sua atuação em projetos de proteção a crianças e adolescentes, especialmente no enfrentamento à violência sexual, ao trabalho infantil e no apoio a famílias de crianças com câncer.

Segundo o parlamentar, uma iniciativa criada por ele em Goiânia há aproximadamente 15 anos passou a ser desenvolvida em 35 municípios.

No campo, Fabrício afirmou que pretende trabalhar em defesa da reforma agrária, da agricultura familiar e de programas públicos de aquisição de alimentos.

Citou sua proximidade com movimentos sociais ligados à luta pela terra e defendeu políticas que permitam aos agricultores familiares fornecer alimentos para escolas, universidades e outros equipamentos públicos.

Oposição a Daniel Vilela será feita no plenário, nas redes e nas ruas

Ao falar sobre sua chegada à Assembleia Legislativa, Fabrício garantiu que manterá uma postura de oposição ao governador Daniel Vilela (MDB), reeleito no primeiro turno.

O deputado eleito afirmou que suas convicções políticas são diferentes das defendidas pelo governador, mas prometeu atuar com respeito institucional.

"Sou um deputado estadual de oposição, mas uma oposição respeitosa e democrática, não uma oposição baixa, vil, mentirosa", declarou.

Segundo ele, as críticas ao Executivo serão fundamentadas em dados e informações concretas.

Fabrício também afirmou que pretende combinar a atuação parlamentar com a mobilização social.

"Faremos oposição no plenário, nas redes e nas ruas", anunciou.

Segundo turno: Fabrício acredita em reação de Lula

Na disputa presidencial, Fabrício demonstrou confiança na possibilidade de recuperação eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante do senador Flávio Bolsonaro (PL).

O deputado eleito defendeu uma campanha mais organizada nas periferias, com participação de jovens militantes e presença em terminais de ônibus, praças e bairros populares.

Também cobrou maior investimento na comunicação digital.

"Acredito que a virada é possível", afirmou.

Fabrício avaliou que o PT precisa ampliar sua capacidade de distribuição de materiais de campanha e melhorar o alcance de suas mensagens nas redes sociais.

Para ele, a campanha deve destacar as diferenças entre os governos petistas e a administração do ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente nas áreas de previdência, salário mínimo e políticas sociais.

O parlamentar também defendeu a mobilização de eleitores que não participaram do primeiro turno ou votaram em branco e nulo, como parte da estratégia de ampliação da votação de Lula.

“Eu sou comunista”: Fabrício fala sobre mudança de postura

Na reta final da entrevista, Fabrício refletiu sobre sua experiência na Câmara Municipal de Goiânia e afirmou que pretende levar para a Assembleia uma postura mais aberta ao diálogo com adversários.

O parlamentar relatou que os dois anos como vereador foram marcados por embates políticos, ataques pessoais e momentos de desgaste, mas também por aprendizado e construção de amizades.

Segundo ele, a convivência diária com parlamentares de diferentes partidos levou a uma mudança na forma de conduzir divergências.

Fabrício afirmou que passou a evitar confrontos pessoais mais agressivos, sem abandonar suas posições ideológicas.

"Eu sou da esquerda radical, eu sou comunista, sou comunista, não mudei o meu lado", declarou.

O deputado eleito explicou que a mudança ocorreu na maneira de se relacionar com os colegas, não em suas convicções.

Disse que pretende continuar discordando de adversários políticos, mas sem transformar todas as divergências em conflitos pessoais.

Despedida da Câmara e início de uma nova etapa

Ao comentar a proximidade de sua saída da Câmara de Goiânia, Fabrício reconheceu que sentirá saudade do Legislativo municipal.

"Vou ficar com muita saudade da Câmara", afirmou.

O parlamentar descreveu o período como uma experiência de sofrimento e aprendizado, marcada tanto por conflitos quanto por manifestações de solidariedade.

Fabrício lembrou que sua trajetória eleitoral foi construída ao longo de sucessivas candidaturas, algumas delas sem sucesso, até conquistar o primeiro mandato de vereador e, agora, uma cadeira na Assembleia Legislativa.

De origem familiar humilde, afirmou que ingressou no serviço público aos 19 anos e que sua trajetória pessoal contribuiu para aproximá-lo de pautas relacionadas à desigualdade social.

A eleição com mais de 81 mil votos representa, segundo ele, uma nova etapa dessa caminhada.

A chegada à Alego também amplia as responsabilidades políticas do deputado eleito. Além de representar setores tradicionalmente associados à esquerda, Fabrício pretende participar das discussões sobre o comando do Legislativo, defender a reorganização do PT e atuar como oposição ao governo estadual.

Ao final da entrevista, deixou claro que pretende preservar suas convicções políticas, mas buscar uma convivência institucional menos conflituosa. "Sentirei muita saudade da Câmara. Foi um lugar de muito aprendizado, de muito afeto, de muita dor, mas também de muita acolhida e muita generosidade", concluiu.



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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.

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