Vanderlan ao lado de Domingos Ketelbey, no Domingos Conversa (Foto: Leoiran)

Vanderlan ao lado de Domingos Ketelbey, no Domingos Conversa (Foto: Leoiran)

Vanderlan ao lado de Domingos Ketelbey, no Domingos Conversa (Foto: Leoiran)

Vanderlan ao lado de Domingos Ketelbey, no Domingos Conversa (Foto: Leoiran)

Domingos Conversa #86: Vanderlan fala sobre reeleição, minimiza contenda na base e diz que foi “usado” por ex-aliados

Domingos Conversa #86: Vanderlan fala sobre reeleição, minimiza contenda na base e diz que foi “usado” por ex-aliados

Apoios municipais, distanciamento do PL e mudanças no Supremo estão entre os temas da entrevista com o senador do PSD

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Domingos Conversa

Podcast

O senador Vanderlan Cardoso (PSD), candidato à reeleição, afirmou que foi “usado” na montagem da chapa bolsonarista em Goiás em 2022 e depois enfrentou um processo de “desconstrução” promovido por antigos aliados. Em entrevista ao Domingos Conversa, o parlamentar também considerou superadas as divergências entre os candidatos ao Senado Gracinha Caiado e Gustavo Mendanha.

No episódio 86, apresentado por Domingos Ketelbey, Vanderlan disse contar com o apoio de 224 prefeitos e prefeitas e defendeu que a reta final da campanha seja dedicada a apresentar o trabalho realizado no mandato. Na agenda nacional, propôs mudanças na escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal e reafirmou a intenção de disputar a presidência do Senado.

“Foi usado para isso”

Ao explicar o afastamento de antigos aliados, Vanderlan afirmou que ajudou a organizar a chapa de 2022 a pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo seu relato, a articulação contribuiu para a eleição de Wilder Morais ao Senado e para a candidatura de Major Vitor Hugo ao governo de Goiás. Depois daquela eleição, disse, começou o movimento de desgaste contra ele.

Vanderlan usou a expressão “foi usado para isso” ao descrever sua participação na montagem do grupo. Afirmou que a ofensiva teve maior efeito na campanha municipal de 2024 e atribuiu aos antigos parceiros a intenção de disputar seu espaço político no Senado. Trata-se da interpretação apresentada pelo entrevistado sobre o rompimento.

Questionado sobre o que impediu a continuidade daquela aliança, respondeu: “Eu acho que nesse grupo ali eles não queriam uma pessoa que tenha pensamento próprio”. O senador afirmou que não mudou suas pautas e associou sua atuação parlamentar à manutenção do diálogo com políticos de diferentes posições.

“Eu só consegui o que eu consegui para o estado de Goiás e para o país porque, graças a Deus, eu tenho diálogo”, declarou. Para sustentar essa avaliação, citou a passagem por comissões do Senado e a participação na tramitação de projetos.

Distanciamento de Wilder e Vitor Hugo

Apesar das críticas, Vanderlan negou guardar mágoa do senador Wilder Morais ou do vereador por Goiânia Major Vitor Hugo. Disse que Wilder poderia ter intervindo para conter os ataques e reconhecer a participação que ele teve na campanha de 2022.

“Eu não tenho essa mágoa, não”, afirmou. Na mesma resposta, chamou os dois de amigos e reconheceu que houve distanciamento político. Justificou a separação pelos caminhos escolhidos nesta eleição: apoia o governador Daniel Vilela e o ex-governador Ronaldo Caiado, enquanto os antigos aliados seguiram outro projeto.

“Eu estou ao lado oposto agora com a família Bolsonaro, estou apoiando Ronaldo Caiado”, disse. Para Vanderlan, as mudanças de composição não impedem entendimentos futuros. “O adversário de hoje pode ser um aliado de amanhã.”

Contenda na base é tratada como superada

Sobre as divergências entre a ex-primeira-dama Gracinha Caiado e o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Gustavo Mendanha, Vanderlan procurou encerrar o assunto. Perguntado se os atritos estavam superados, respondeu: “Está, está superado”.

O senador explicou que o vídeo de solidariedade a Gracinha não representava uma postura exclusiva em relação à candidata. Disse que também havia manifestado apoio à senadora Damares Alves depois de ataques dirigidos a ela. Segundo Vanderlan, a manifestação correspondia à forma como costuma agir diante de situações semelhantes.

Ao comentar a relação entre Gracinha e Mendanha, porém, apresentou uma avaliação, sem relatar participação em eventual entendimento. “Acho que já se acertaram, fumaram o cachimbo da paz aí, está tudo bem”, afirmou.

Questionado se a presença de quatro candidaturas da base tornava os atritos previsíveis, Vanderlan disse que não pretende escolher adversários. Sustentou que o eleitor pode comparar os serviços prestados por cada concorrente antes de decidir. “Quem tem serviço prestado não fica escolhendo adversários, hipótese alguma.”

Apoio declarado de 224 prefeitos

A relação com os municípios ocupa parte central do argumento de campanha apresentado pelo senador. Vanderlan afirmou ter atuação nos 246 municípios goianos e disse que prefeitos e vereadores estão envolvidos em sua candidatura. “Eu tenho o apoio declarado de 224 prefeitos e prefeitas”, declarou.

O número foi informado pelo próprio candidato. Ao explicar o peso dessas adesões, Vanderlan afirmou que o apoio de gestores municipais facilita a apresentação do trabalho parlamentar à população e disse considerar relevante a participação dos vereadores nas agendas locais.

Segundo ele, o foco da reta final é percorrer o estado e esclarecer quais ações foram realizadas nos quase oito anos de mandato. Na entrevista, citou recursos para hospitais, entidades filantrópicas, terceiro setor e atendimento oncológico.

Cobrado sobre por que ainda precisa tornar o mandato conhecido depois de tantos anos, respondeu que a campanha também serve para recuperar a memória das ações realizadas. Como exemplo, mencionou o apoio aos municípios durante a pandemia e a destinação de respiradores.

Críticas às pesquisas, sem citar institutos

Vanderlan também questionou diferenças entre pesquisas eleitorais, mas não identificou os institutos aos quais se referia. Perguntado sobre quais levantamentos considera confiáveis, disse que utiliza pesquisas próprias para orientar a campanha.

“Eu não quero mencionar institutos”, respondeu. O senador alegou que variações nas intenções de voto e nos índices de rejeição provocam confusão entre os eleitores. Na resposta, não apresentou ficha técnica nem detalhou os levantamentos usados por sua equipe.

Ao tratar do trabalho para os últimos dias de campanha, voltou a defender a divulgação das ações do mandato. Disse que os eleitores podem consultar informações por município e sobre recursos destinados aos hospitais.

Damares e as escolhas de Ismael

O senador afirmou que recebeu com surpresa a gravação de apoio feita por Damares Alves. Segundo ele, não houve pedido para que a colega produzisse o vídeo. Vanderlan atribuiu a manifestação à relação construída no Senado e ao trabalho conjunto em projetos.

“Essa gravação dela me pegou de surpresa, eu não havia pedido isso”, afirmou. Disse ainda que não costuma procurar lideranças nacionais para solicitar manifestações públicas, embora receba declarações de apoio.

Já sobre a aproximação do deputado federal Ismael Alexandrino com o deputado federal Gustavo Gayer, Vanderlan afirmou que cada parlamentar tem autonomia para definir suas articulações. Ressaltou que Ismael pertence ao seu partido e que mantém uma relação de amizade com ele.

Questionado sobre a possibilidade de o colega não se reeleger, não endossou a hipótese. “Eu torço para que ele seja reeleito”, respondeu. Para o senador, divergências de caminho também fazem parte da convivência partidária.

Mandatos de dez a doze anos no Supremo

Na discussão sobre o STF, Vanderlan defendeu mandatos de dez a doze anos para os ministros e mudanças no processo de escolha. Afirmou preferir indicações com maior participação do meio jurídico e mencionou a possibilidade de apresentação de nomes ao presidente da República.

“Que seja uma indicação mais técnica”, disse. O senador também defendeu discutir alterações nas escolhas para o Superior Tribunal de Justiça e para os tribunais estaduais. Na entrevista, apresentou as diretrizes que defende, sem detalhar um texto legislativo ou regras de transição.

Ao comentar as apurações relacionadas ao Banco Master, reiterou a defesa do afastamento de Alexandre de Moraes durante a investigação. Em relação a André Mendonça, manifestou confiança e citou sua participação nas articulações que antecederam a aprovação do nome do ministro pelo Senado.

Projeto de disputar a presidência do Senado

Vanderlan vinculou a intenção de presidir o Senado ao encaminhamento de pautas que considera pendentes, entre elas os pedidos de impeachment de ministros do Supremo. Disse que já assinou pedidos dessa natureza e que sua defesa do tema é anterior à atual campanha.

Para justificar a candidatura ao comando da Casa, mencionou a experiência nas comissões de Ciência e Tecnologia, Assuntos Econômicos e Constituição e Justiça. Apresentou a passagem por esses colegiados como parte da trajetória que pretende levar à disputa interna, caso conquiste outro mandato.

Questionado sobre por que os processos não avançam com a atual composição do Senado, Vanderlan afirmou que os pedidos vêm de outras legislaturas. Ao abordar os obstáculos, sugeriu que os eleitores consultem quais senadores respondem a processos no Supremo, sem identificar parlamentares nessa resposta.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.

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