Candidato a deputado estadual pelo Podemos falou sobre indústria, renovação da Alego, cenário eleitoral, sobrenome Mabel e posições políticas
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O empresário e candidato a deputado estadual Felipe Mabel (Podemos) foi o entrevistado da edição #69 do Domingos Conversa. Em pouco mais de 50 minutos de conversa, ele tratou da entrada na política, das demandas do setor produtivo, da disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e de suas posições para as eleições de 2026.
Em sua primeira eleição, Felipe tenta construir a candidatura a partir de três áreas que marcaram sua trajetória profissional: saúde, esporte e indústria. Ao falar sobre a atuação empresarial, apontou a dificuldade para contratação de trabalhadores como um dos principais problemas enfrentados atualmente pelas indústrias goianas.
Segundo o candidato, a escassez de mão de obra tem levado empresas a aumentar os investimentos em máquinas e automação. Ele defendeu políticas de qualificação profissional, redução de custos para investimentos produtivos e maior interlocução entre o governo estadual e o setor empresarial.
Felipe também demonstrou resistência à forma como o debate sobre o fim da escala 6x1 vem sendo conduzido nacionalmente. Na avaliação dele, uma eventual mudança precisa envolver empresas, entidades do setor produtivo e trabalhadores e não deve ser transformada em uma pauta exclusivamente eleitoral.
Renovação da Alego
A renovação da Assembleia foi outro ponto central da entrevista. Felipe estima que aproximadamente 30% das cadeiras possam trocar de ocupantes nesta eleição, apesar da estrutura eleitoral acumulada pelos deputados que já exercem mandato.
O candidato foi crítico ao comportamento de parte da atual legislatura. Avaliou que há parlamentares excessivamente concentrados em suas próprias bases e audiências e defendeu que a Alego se concentre mais em questões diretamente relacionadas ao Estado.
Felipe também criticou a recorrência da disputa nacional entre lulistas e bolsonaristas no plenário estadual. Para ele, a Assembleia deveria reduzir a reprodução de conflitos de Brasília e priorizar saúde, educação, desenvolvimento econômico e outras atribuições diretamente ligadas a Goiás.
Caso seja eleito, afirmou que pretende percorrer todos os 246 municípios goianos ao longo do mandato. Durante a campanha, a meta apresentada por ele é chegar a mais de 150 cidades.O peso do sobrenome Mabel
Boa parte da conversa passou pela adoção do sobrenome Mabel. Felipe nasceu Felipe Barroso Marques e passou a utilizar politicamente o nome da família de sua mulher quando decidiu disputar a eleição.
Ele revelou que a sugestão inicial partiu do deputado federal José Nelto. A ideia foi posteriormente discutida com integrantes da família e recebeu o aval de Marlene Scodro, matriarca do ramo familiar ao qual sua mulher pertence.
Felipe reconheceu que o nome facilita a abertura de portas políticas e empresariais, mas afirmou que a permanência na vida pública dependerá do trabalho que conseguir construir.
Ele também colocou Sandro Mabel como uma de suas principais referências políticas. Ao mesmo tempo, quando provocado a apontar problemas do prefeito, reconheceu como defeito a tendência de Sandro de entrar em embates públicos e individualizados.
Podemos mira três vagas
Na disputa proporcional, Felipe projetou que o Podemos tenha condições de eleger três deputados estaduais e afirmou que a chapa montada pela legenda apresenta equilíbrio entre seus principais candidatos.
O deputado Henrique César, que busca a reeleição, foi reconhecido como o nome que entra na disputa com a vantagem da estrutura de mandato. Felipe, no entanto, rejeitou a avaliação de que a chapa tenha sido organizada apenas para garantir a recondução do parlamentar.
A principal concentração eleitoral de Felipe deve ficar no eixo formado por Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis e municípios da Região Metropolitana. Ele estima que mais da metade dos votos necessários para sua eleição deverá sair dessa região.
Daniel, Senado e a centro-direita
Felipe confirmou apoio à reeleição do governador Daniel Vilela (MDB), com quem mantém uma relação pessoal anterior à campanha. Os dois, segundo contou, chegaram a jogar futebol juntos regularmente.
Para o Senado, evitou revelar nominalmente seus dois votos, mas informou que sua estrutura política estará dividida entre Gracinha Caiado, Vanderlan Cardoso e Gustavo Mendanha.
A aposta do candidato é que as duas vagas em disputa sejam preenchidas por nomes desse trio. Felipe reconheceu a força eleitoral do bolsonarismo e de Gustavo Gayer, mas manteve a projeção favorável aos candidatos ligados ao campo governista.
Durante a entrevista, também explicou o que entende por centro-direita moderada. Felipe defendeu que políticas sociais associadas à esquerda podem ser necessárias, ao mesmo tempo em que se identifica com valores econômicos e familiares mais próximos da direita.
Caiado sobre Flávio Bolsonaro
No bate-bola que encerrou o programa, Felipe foi colocado diante de algumas escolhas políticas mais diretas.
Ao ser questionado entre Ronaldo Caiado e Flávio Bolsonaro, escolheu Caiado. Sobre o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, cobrou maior comprometimento com o conjunto da população e menor vinculação à própria família.
Em relação a Marconi Perillo, avaliou que o ex-governador já cumpriu seu papel político e defendeu a abertura de espaço para novas lideranças.
Felipe também admitiu que não descarta, no futuro, uma candidatura ao Executivo. Segundo ele, qualquer projeto desse tipo dependerá primeiro do desempenho que conseguir apresentar caso conquiste uma cadeira na Assembleia Legislativa.
A entrevista completa com Felipe Mabel está disponível no canal do jornalista Domingos Ketelbey no YouTube.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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