Presidente da Acieg afirma no Domingos Conversa que Ficomex superou 200 milhões de euros em negócios e vê segundo semestre com “sinal amarelo para vermelho”
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O presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Goiás (Acieg), Rubens Fileti, afirmou que a maioria dos empresários tem segurado investimentos por causa das eleições de 2026. Em entrevista ao Domingos Conversa, ele disse que o setor produtivo atravessa um período de cautela, pressionado por juros altos, crédito mais restrito, reforma tributária, dificuldades no agronegócio e incerteza política.
“Existem alguns segmentos que não conseguem segurar os investimentos. Para sobreviver, têm que seguir com esses investimentos. Mas a grande maioria está segurando, sim, por causa das eleições”, afirmou.
Fileti avaliou que o empresário olha para 2026 com preocupação, especialmente pelo grau de imprevisibilidade no cenário nacional. “É um cenário de incerteza. Nós não sabemos o que vai acontecer, efetivamente”, disse.
Segundo ele, a Acieg não atua com bandeira partidária, mas é cobrada pelos associados a oferecer leitura de cenário. “Aqui nós não defendemos bandeira política. Como entidade, nós somos uma bandeira branca. O empresário A defende o candidato A, o B, o C, o D, e por aí vai”, afirmou.
Segundo semestre preocupa setor produtivo
Na entrevista, Fileti fez um diagnóstico duro sobre a economia no segundo semestre. Ao ser questionado sobre o ambiente para o setor produtivo, afirmou que há um acúmulo de fatores de risco.
“Nós temos todas as variáveis para uma tempestade completa no segundo semestre”, disse.
O presidente da Acieg citou juros, exigências maiores dos bancos, dificuldades de crédito, falta de insumos, escassez de mão de obra especializada, reforma tributária, novas normas trabalhistas e preocupação com o agronegócio.
“Nós temos todas as variáveis para realmente ficar em alerta, com sinal amarelo para vermelho”, afirmou.
Para Fileti, o momento exige replanejamento. Ele disse ouvir de empresários de diferentes setores que a ordem agora é atenção redobrada. “Todos estão com sinal ligado, de alerta ligado. É um momento muito perigoso”, afirmou.
A preocupação com o agro ocupou parte da entrevista. Fileti disse que o setor foi afetado por problemas climáticos, dificuldades financeiras e falta de política pública federal. Segundo ele, quando o agronegócio vai mal em Goiás, o impacto se espalha para outras áreas.
“Quando você fala do agronegócio, nós estamos falando da agroindústria, da revenda agrícola e de muitas cadeias que acabam chegando no comércio e no serviço. Se o agronegócio vai mal em Goiás, a economia de Goiás pode ter retração por causa disso”, disse.
Escala 6x1 e microempresas
Fileti também comentou o debate sobre o fim da escala 6x1. Ele afirmou que a Acieg e o Fórum das Entidades Empresariais não são contra a discussão, mas defendem que o tema seja tratado fora do período eleitoral.
“Ele tem que acontecer? Eu acho que tem que acontecer. Em outros países aconteceu? Aconteceu. Mas estavam em outros momentos também”, disse.
Segundo o presidente da Acieg, a discussão preocupa principalmente micro e pequenas empresas. Ele citou o caso de supermercados no interior de Goiás, que teriam dificuldade para absorver aumento de custos com contratação.
“Imagina um supermercado no interior de Goiás. Como ele vai fazer para colocar um funcionário a mais, sendo que não tem dinheiro nem para pagar suas contas no final do mês?”, questionou.
Fileti também citou a NR1, norma que trata de saúde mental no ambiente de trabalho, como uma das mudanças que entram na conta do empresário em um momento de pressão econômica.
Ficomex superou previsão, diz Fileti
Antes de tratar do cenário político e econômico, Fileti fez um balanço da Ficomex, realizada em Lisboa. A feira, que teve sua primeira edição internacional, levou empresários goianos a Portugal e buscou aproximar o setor produtivo de investidores, compradores e instituições europeias.
Segundo Fileti, a expectativa inicial era de aproximadamente 200 milhões de euros em negociações. O resultado, segundo ele, superou a projeção.
“A gente tinha uma previsão de aproximadamente 200 milhões de euros de negociações, que seriam estabelecidas em grande parte ou, ao longo do ano, seriam fechadas. E nós superamos esses 200 milhões de negócios”, afirmou.
O presidente da Acieg disse que a feira reuniu empresas de serviços, área jurídica, agroindústria, agronegócio, medicina, fundos de investimento e empresas portuguesas interessadas em investir em Goiás.
Entre os setores citados por Fileti estão cachaça, molho de pimenta, agroindústrias, produtores rurais e projetos de medicina. Ele também mencionou interesse do grupo Vila Galé em novos investimentos no Estado.
“Nós tivemos o pessoal das cachaças que fizeram negócio e provisionamento de novos negócios, exportações para a Europa a partir disso. Tivemos a agroindústria, com o pessoal da parte de molho de pimenta também”, disse.
De acordo com Fileti, produtos goianos chamaram atenção do mercado europeu.
“Na pimenta e na cachaça goiana, esse foi um sucesso lá dentro”, afirmou.
Ele disse que o interesse não ficou restrito a Portugal. “A Europa como um todo vem crescendo. Às vezes é um produto premium, não é aquela cachaça mais tradicional”, afirmou.
Acieg na Rede Blockchain Brasil
Durante a entrevista, Fileti também anunciou que a Acieg passou a integrar a Rede Blockchain Brasil, organizada pelo BNDES e pelo Tribunal de Contas da União. Segundo ele, a entidade foi aprovada como conselheira e será a primeira entidade do País a atuar como certificadora via RBB.
“Fomos aprovados como conselheiros, temos agora uma cadeira na RBB e somos a primeira entidade do Brasil a ser uma certificadora via RBB”, disse.
Fileti explicou que, na prática, a certificação serve para garantir a origem e a rastreabilidade de informações, produtos e processos. Ele usou como exemplo a exportação de pimenta e cachaça para a Europa.
“Eu garanto onde foi plantado, qual foi a semente, quem fez a colheita, por onde transportou, qual foi o porto de origem e como foi transportado até chegar na Europa”, explicou.
Segundo ele, esse tipo de registro terá peso crescente nas relações comerciais internacionais, especialmente em mercados que exigem comprovação de origem e rastreabilidade.
Pesquisa eleitoral e cobrança dos empresários
No campo político, Fileti comentou a pesquisa eleitoral encomendada pela Acieg para medir o cenário em Goiás. Segundo ele, a entidade faz levantamentos porque os associados cobram leitura sobre o ambiente político e seus efeitos na economia.
“Nossos associados nos cobram muito o cenário futuro. Esse é o principal motivo. Eles querem saber para que lado está indo a pretensão de votos”, afirmou.
Fileti negou que a Acieg contrate pesquisa para influenciar a eleição. Segundo ele, o objetivo é municiar os empresários com informações.
“Nós vamos tendenciar com essa pesquisa o resultado? Não, nós não vamos tendenciar. Mas nós vamos mostrar para todos os nossos associados o que a população de Goiás está enxergando”, disse.
O presidente da Acieg também afirmou que a entidade não deve promover debate próprio nas eleições de 2026. A tendência, segundo ele, é que o Fórum das Entidades Empresariais organize um encontro com candidatos, em formato de sabatina, como ocorreu em eleições anteriores.
“Debate provavelmente nós não teremos promovido pelas entidades, mas sim pelo Fórum. E não será um debate. Será um momento muito parecido com o da última eleição, em que cada candidato foi lá e falou para todo mundo”, disse.
Fórum discutiu apoio a Zé Mário para vice
Fileti também comentou a movimentação do Fórum das Entidades Empresariais em torno da escolha do vice na chapa do governador Daniel Vilela. Ele confirmou que houve articulação em defesa do nome de José Mário Schreiner.
“Existiu um movimento coordenado para o apoio do Zé Mário como candidato a vice do Daniel Vilela. Então esse foi o tema discutido dentro da reunião do Fórum. Ponto final”, afirmou.
O presidente da Acieg disse que não participou presencialmente da reunião, porque estava em Portugal, mas acompanhou as conversas. Ele também evitou dizer que o Fórum tenha uma posição única em torno de Daniel.
“Nós não tivemos outros assuntos sendo debatidos. Cada entidade tem a sua preferência. Se apoia, se não apoia o governador para a sua reeleição, se apoia outro pré-candidato. Cada um tem a sua preferência e a gente respeita o seu espaço”, disse.
Fileti afirmou ainda que não houve crise interna no Fórum. Para ele, eventuais ruídos foram externos. “Não teve uma confusão, não teve um ruído para dentro do Fórum. Dentro do Fórum nós somos muito unidos”, afirmou.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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