
Ex-tesoureiro nacional do PT e hoje pré-candidato a deputado federal por Goiás, Delúbio trata as condenações como lawfare, defende a reeleição de Lula como irreversível e relembra a convivência na prisão com Waldemar Costa Neto, atual fiador do bolsonarismo.
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O ex-tesoureiro nacional do PT Delúbio Soares é o convidado da nova edição do Domingos Conversa. Professor, fundador da CUT e figura central do mensalão, que ele insiste em tratar como uma farsa, Delúbio foi expulso do partido em 2005, condenado, preso e depois reabilitado pela Justiça. Aos 70 anos e de volta à vida pública, ele se reapresenta como "o cara do Lula em Goiás" e mira uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026, com apoio público do presidente. A entrevista foi ao ar nesta segunda-feira (8), às 21h30, na TV Capital, e está disponível em todas as plataformas de podcast.
Depois de quatro décadas dedicadas à política nacional, Delúbio explica por que decidiu voltar para Goiás. "Eu acompanho a política nacional desde os meus 17 anos. Hoje eu já tenho 70 anos de idade, dos quais 40 dediquei à política nacional. Agora eu quero dedicar o resto do tempo que me resta à política de Goiás", afirma. Ele rejeita o rótulo de candidato escolhido a dedo pelo presidente: "Não é que eu sou o candidato preferido do Lula. Eu sou o candidato que sempre convive com o presidente Lula, sou amigo dele."
Sobre a reeleição, Delúbio não vê volta, mesmo diante das dúvidas em torno da saúde do presidente. "A saúde só Deus sabe o que nos reserva. Mas, dentro da normalidade, o Lula é o candidato e o Alckmin é vice", diz. Esteve com o presidente em Catalão na véspera da gravação e o descreve "muito animado, muito esforçado".
O ponto mais forte da conversa é a defesa que Delúbio faz da própria biografia. Ele trata o mensalão como construção da Justiça e da imprensa e resume a tese numa frase: "Uma mentira contada várias vezes não vira verdade, mas atrapalha a vida das pessoas." Para ele, foi lawfare, "quando você usa um instrumento para atrapalhar a vida dos outros". A maior mentira que diz já terem contado a seu respeito é sempre a mesma: "Que eu comprava deputado para votar com o governo. Essa é a maior mentira que existiu no Brasil." E ironiza a desproporção da acusação, lembrando que o mensalão nasceu de uma suposta propina de 30 mil reais enquanto, hoje, as emendas parlamentares movimentam cifras milionárias.
Delúbio também revela bastidores da relação com Valdemar Costa Neto, presidente do PL, que saiu de aliado de Lula a um dos principais fiadores do bolsonarismo. Os dois conviveram na prisão. "Eu convivi com Valdemar Costa Neto um tempão. Inclusive, nos meus quatro anos de cadeia, em Brasília, nós convivemos ou na mesma cela ou no CPP", relata. Apesar do caminho oposto que o aliado tomou, recusa-se a condená-lo. "Não tenho nada a reclamar do Valdemar Costa Neto. Tudo que eu tratei com ele, cumpri; tudo que ele tratou comigo, ele cumpriu", diz. "Não sou eu que vou condenar o Valdemar por ter aceitado a filiação do ex-presidente da República. É uma opção que o partido fez."
Sobre a expulsão do PT, em 2005, Delúbio mantém que o partido errou. "O PT tomou uma decisão errada. Eu avisei na época que estava errada, mas quiseram tomar. Eu acatei a decisão. E seis anos depois fizeram autocrítica", afirma. Lembra os números do próprio enredo: "Eu fui expulso por 39 votos contra 16. E, no meu retorno, foi 60 votos a favor e 15 contra." E dá o assunto por encerrado: "Considero esse episódio superado. Política não tem que olhar pra trás, vamos olhar pra frente."
Já perto do fim, ao resumir o que mais doeu na trajetória, se as condenações, a expulsão ou o desgaste dos anos, Delúbio foge das três opções. "O que eu mais sinto, com maior prejuízo para a nação brasileira, são as fake news. As fake news levam ao ódio, e isso é o que mais me dói em toda a minha vida", diz. E fecha o raciocínio com a imagem que repete ao longo da conversa: "A mentira não vive o suficiente para envelhecer, mas atrapalha a vida dos outros."
Pré-candidato, Delúbio adianta as bandeiras que pretende levar a Brasília, quase todas voltadas a Goiás. Defende mudar o modal de transporte, com ferrovia e metrô ligando Goiânia ao entorno do Distrito Federal; industrializar o estado para "agregar valor à nossa soja, ao nosso milho"; e federalizar a educação básica, tornando a União responsável pela educação infantil e pelo ensino médio. Cobra ainda a distribuidora Equatorial pela falta de energia que, segundo ele, trava novos investimentos no interior. "Ou adapta e cumpre as suas obrigações, ou refaz a concessão. Não pode continuar do jeito que está", afirma.
No bate-bola que encerra o programa, Delúbio é lacônico. Jair Bolsonaro é "inapto para a função política"; Flávio Bolsonaro, "filho do inapto"; Daniel Vilela "deveria aprender com o pai"; Ronaldo Caiado é "um homem muito conservador"; e Marconi Perillo "foi um bom governador um período, depois ficou na mesma". Sobre Adriana Accorsi, é elogioso: "uma grande liderança". E, ao ouvir a palavra mensalão pela última vez, repete o diagnóstico: "uma grande farsa."
O episódio completo já está disponível no YouTube e em todos os tocadores de podcast.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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