Adriano Rocha Lima no Domingos Conversa (Foto: Divulgação/ Montagem: Lucas Coqueiro)

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DOMINGOS CONVERSA #34: BASTIDORES DA GESTÃO CAIADO E A DISPUTA PELA VICE DE DANIEL, COM ADRIANO ROCHA LIMA

DOMINGOS CONVERSA #34: BASTIDORES DA GESTÃO CAIADO E A DISPUTA PELA VICE DE DANIEL, COM ADRIANO ROCHA LIMA

Ex-secretário-geral de Governo falou ao Domingos Conversa sobre bastidores da gestão Caiado e sucessão estadual

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Domingos Conversa

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O ex-secretário-geral de Governo de Goiás, Adriano Rocha Lima, afirmou que está pronto para compor a chapa do governador Daniel Vilela (MDB) como candidato a vice em 2026, caso seja escolhido pela base governista. A declaração foi dada em entrevista ao Domingos Conversa, conduzido pelo jornalista Domingos Ketelbey.

Questionado diretamente se deseja ser vice de Daniel, Adriano não desconversou. “Estou pronto para ser vice e acho que posso contribuir. Se me der essa oportunidade, terei muita satisfação em poder cumpri-la com tudo aquilo que aprendi durante toda a minha vida profissional”, afirmou.

Filiado ao PSD, partido presidido em Goiás pelo ex-governador Ronaldo Caiado, Adriano deixou a Secretaria-Geral de Governo em meio às articulações para a eleição estadual. Nos bastidores, ele é tratado como um dos nomes possíveis para a vaga de vice na chapa de Daniel, ao lado de outros perfis defendidos por setores da base.

Durante a entrevista, Adriano disse que sua passagem pelo governo foi marcada por duas condições centrais: confiança política e liberdade administrativa. “Esse trabalho eu me orgulho muito dele porque eu tive duas situações muito relevantes. Uma é a relação de confiança com o governador Ronaldo Caiado e a outra é a liberdade de atuação que ele me deu”, disse.

O ex-secretário também defendeu que a gestão Caiado avançou ao adotar um modelo de acompanhamento por projetos dentro do governo estadual. Segundo ele, a metodologia permitiu monitorar entregas, prever riscos e corrigir rotas antes que obras e programas ficassem pelo caminho.

“Nós fomos, inclusive, premiados internacionalmente por ter implementado isso dentro do serviço público. Isso é algo também muito relevante. Não aparece, fica nos bastidores profundos, mas faz uma diferença gigantesca na entrega de resultados”, afirmou.

Adriano disse que o alto escalão do serviço público não sobrevive apenas de perfil técnico. Para ele, a política é parte da administração. “Se você for somente absolutamente técnico, você não sobrevive, porque é um mundo que depende de muito diálogo”, afirmou.

A fala ajuda a explicar a transição de imagem do ex-secretário. Durante boa parte da gestão Caiado, Adriano foi tratado como um quadro técnico. Agora, aparece em atribuições partidárias, atua como tesoureiro do PSD em Goiás e participa da estrutura da pré-campanha presidencial de Ronaldo Caiado.

Na entrevista, ele afirmou que tem mantido conversas com o governo e colaborado externamente com ações que já estavam em andamento. Também disse que tem ajudado Caiado na estruturação da pré-candidatura à Presidência da República pelo PSD.

Enel, Equatorial e pressão política

Um dos trechos mais fortes da entrevista ocorreu quando Adriano tratou da crise da Enel em Goiás. Segundo ele, o governo conseguiu “expulsar a Enel” do Estado após pressão sobre órgãos federais, Agência Nacional de Energia Elétrica, Ministério de Minas e Energia e parlamentares.

“Nós conseguimos fazer o que São Paulo ainda não conseguiu”, disse, ao comparar a situação enfrentada por Goiás com problemas recentes envolvendo a distribuidora em São Paulo.

Adriano relatou ainda uma reunião no Palácio Pedro Ludovico Teixeira com Livio Gallo, então vice-presidente mundial da Enel. Segundo o ex-secretário, Caiado foi direto ao executivo.

“O governador virou para ele e falou assim: ‘Olha, vou te dizer uma coisa, a única coisa que você pode fazer pela gente hoje é sair do Estado de Goiás’”, contou.

Apesar de reconhecer que ainda há reclamações sobre a Equatorial, Adriano defendeu que o cenário mudou. “É muito diferente. Posso dizer com tranquilidade, ainda mais estando fora do meio”, afirmou. Ele disse que os indicadores de qualidade melhoraram, mas admitiu que a situação ainda não é confortável porque o ponto de partida era ruim.

Transporte coletivo

O ex-secretário também tratou da reformulação do transporte coletivo na Região Metropolitana de Goiânia, área em que atuou como presidente da Câmara Deliberativa de Transportes Coletivos (CDTC). Segundo ele, o sistema passou por uma mudança estrutural depois de meses de estudo.

“Foi um trabalho que eu me orgulho muito de ter participado, porque foi um trabalho muito estruturado. Começou com seis meses de estudo antes de tomarmos qualquer ação”, afirmou.

Adriano disse que o poder público passou a bancar dois terços do custo do transporte metropolitano, enquanto um terço fica com o usuário. Ele defendeu o subsídio, mas se disse contrário à gratuidade total.

“Não existe transporte público que você consiga que todos os custos dele venham do usuário, porque ele é muito caro. Se você não tiver subsídio público no transporte público, ele não sobrevive em nenhum país”, afirmou.

Ao mesmo tempo, fez uma ressalva: “Eu também sou contra o gratuito totalmente, porque o gratuito não é valorizado.” Para ele, o sistema precisa ter preço justo, mas não pode depender integralmente da tarifa paga pelo passageiro.

Servidores e responsabilidade fiscal

Outro ponto da entrevista foi a relação do governo com servidores públicos e sindicatos. Adriano classificou a interlocução com as categorias como um dos temas mais complexos de sua passagem pela gestão.

Ele citou distorções históricas nas carreiras da segurança pública, com menção à Polícia Técnico-Científica, Polícia Penal, Polícia Militar e Polícia Civil. Segundo ele, o governo conseguiu reduzir parte dos desequilíbrios, mas não chegou ao ponto ideal.

“Se a gente olhar para 2019 e comparar com hoje, a situação está muito menos distorcida e as categorias estão muito melhor atendidas do que estavam antes. Agora, estão no ponto ideal? Estão no ponto que elas merecem? Não estão”, disse.

Adriano também criticou o que chamou de populismo em decisões sobre reajustes. Para ele, o gestor público não pode prometer aumento sem segurança de caixa.

“O grande problema é quando você começa a utilizar de populismo ou de politicagem, fazendo política com isso. Deixa de lado a racionalidade, a responsabilidade e começa a fazer essa política populista que tem efeito de curto prazo”, afirmou.

O ex-secretário usou o exemplo da data-base dos servidores para defender a gestão fiscal do governo Caiado. Segundo ele, em 2019 o Estado enfrentava situação de desequilíbrio e salários atrasados, o que inviabilizava reajustes naquele momento. A partir de 2022, disse, os pagamentos passaram a ser feitos anualmente dentro dos limites legais.

2026 no centro da conversa

Ao final, a entrevista voltou ao tabuleiro eleitoral. Adriano reconheceu que sua saída do governo ocorreu em um momento de transição e de aproximação da disputa de 2026. Também confirmou que não pretende disputar mandato de deputado estadual ou federal.

Com isso, a vaga de vice de Daniel Vilela aparece como o caminho mais visível para sua permanência no jogo político. Na base governista, a escolha envolve variáveis como representação regional, agronegócio, segmento evangélico, presença partidária e capacidade administrativa.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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