Mercado financeiro reage à continuidade do atual governo e volta as atenções para política fiscal, equipe econômica e relação com o Congresso
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Política
O mercado financeiro abriu esta segunda-feira (26) sob forte pressão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O dólar disparou mais de 8% diante do real, enquanto o Ibovespa Futuro chegou a cair quase 15% nos primeiros negócios.
Por volta das 9h03, a moeda norte-americana era negociada a R$ 5,424, alta de 8,65%. O contrato futuro do dólar para novembro avançava 9,16%, para cerca de R$ 5,43.
No mesmo horário, o Ibovespa Futuro recuava 14,84%, aos 177.215 pontos.
Mercado reprecifica cenário político
A reação ocorre após o resultado do segundo turno contrariar parte das expectativas que haviam sido incorporadas aos preços dos ativos nas últimas semanas.
Durante o período entre o primeiro e o segundo turno, investidores passaram a precificar uma possibilidade maior de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) e de mudanças na condução da política econômica.
Com a reeleição de Lula, o mercado iniciou um processo de reavaliação das expectativas, especialmente em relação às contas públicas, à trajetória da dívida e à composição da próxima equipe econômica.
Dólar havia fechado abaixo de R$ 5
Na sexta-feira (23), último pregão antes da eleição, o dólar à vista havia encerrado a R$ 4,9896, com queda de 0,97%.
A moeda acumulava recuo de 9,10% no ano até então.
A forte alta desta segunda representa uma reversão abrupta desse movimento e reflete o aumento da aversão ao risco entre investidores.
Bolsa vinha perto das máximas
O Ibovespa também chegava à eleição em patamar elevado.
Na sexta-feira, o índice encerrou aos 205.082 pontos, após alta de 0,47%, e permanecia próximo da máxima histórica de 209.713 pontos registrada recentemente.
Desde o primeiro turno, a Bolsa havia acumulado valorização enquanto o dólar recuava, em meio às expectativas sobre o resultado eleitoral.
Risco de circuit breaker
A intensidade da queda também colocou no radar o mecanismo de circuit breaker da B3.
Pelas regras da Bolsa, as negociações podem ser suspensas por 30 minutos caso o Ibovespa registre queda de 10% em relação ao fechamento anterior.
Se a perda chegar a 15% após a retomada, uma nova interrupção pode ocorrer por uma hora. Em quedas de 20%, a B3 pode determinar outro período de suspensão.
Exterior já indicava pressão
A reação começou ainda antes da abertura do mercado brasileiro.
O EWZ, principal fundo negociado nos Estados Unidos que acompanha ações brasileiras, chegou a cair mais de 20% no pré-mercado.
Contratos ligados ao real negociados no exterior também indicavam forte desvalorização da moeda brasileira desde a noite de domingo.
Fiscal entra no centro das atenções
Investidores agora acompanham principalmente as primeiras sinalizações do governo reeleito sobre política fiscal.
Entre os temas observados estão controle de gastos, trajetória da dívida pública, escolha da equipe econômica e capacidade de negociação com um Congresso que terá forte presença de partidos de oposição.
Analistas ressaltam que a reação inicial representa uma reprecificação dos ativos e que o comportamento do mercado poderá mudar ao longo dos próximos dias conforme novas informações sejam divulgadas.
Volatilidade deve continuar
A tendência para esta segunda-feira é de elevada volatilidade.
Além do resultado eleitoral, investidores acompanham decisões de juros no exterior, indicadores econômicos e o Boletim Focus do Banco Central.
A evolução do dólar, dos juros futuros e da Bolsa dependerá principalmente das primeiras sinalizações econômicas do governo para o novo mandato.

Karla Alves
É jornalista e assessora de comunicação. Há mais de 15 anos, atua na imprensa goiana e aproxima informação, pessoas e organizações.
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