(Foto: Marcelo Casal Jr)

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Dívidas pessoais pressionam caixa e dificultam crédito aos pequenos negócios

Dívidas pessoais pressionam caixa e dificultam crédito aos pequenos negócios

Mistura entre contas domésticas e empresariais amplia impacto da inadimplência, sobretudo entre microempreendedores individuais

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Economia

O endividamento das famílias não afeta apenas o consumo. Para pequenos empreendedores que ainda misturam as finanças pessoais com as contas da empresa, o desequilíbrio doméstico pode reduzir o capital de giro, dificultar o acesso ao crédito e comprometer a relação com fornecedores.

Em dezembro de 2024, 76,7% das famílias brasileiras tinham alguma dívida, 29,3% acumulavam contas em atraso e 13% afirmavam não ter condições de quitar os débitos vencidos. Os números são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, a CNC, e não do Banco Central. Confira os dados da Peic.

“Esse cenário reduz o fôlego do consumo justamente onde o pequeno negócio mais sente: no caixa do dia a dia”, afirma George Gustavo Toledo, gestor do Programa Conexão Financeira, da Unidade de Soluções do Sebrae Goiás. Segundo ele, famílias endividadas compram menos, pesquisam mais, adiam decisões e concentram os gastos no essencial.

A ligação entre o orçamento doméstico e a empresa é especialmente forte entre os microempreendedores individuais. Relatório do Banco Central mostra que, em dezembro de 2024, menos da metade dos MEIs mantinha relacionamento bancário por meio de contas de pessoa jurídica. Muitos ainda utilizavam contas pessoais para movimentar os recursos do negócio. “Para uma parte relevante dos empreendedores, o problema do orçamento doméstico acaba batendo diretamente na operação da empresa”, diz Toledo. Veja o relatório do Banco Central.

Restrições no CPF também podem pesar na análise de crédito. Instituições financeiras costumam avaliar tanto o CNPJ quanto a situação do titular ou dos sócios. No caso do MEI, a relação é ainda mais direta. “O problema não é pensar que o nome sujo acaba com a empresa, mas entender que ele pode dificultar crédito, renegociação, prazos melhores e até a confiança comercial”, explica o gestor.

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Renegociação exige diagnóstico

Segundo Toledo, um dos erros mais frequentes é procurar uma renegociação sem conhecer o valor total da dívida, os juros cobrados, a capacidade mensal de pagamento e o impacto das parcelas sobre o fluxo de caixa. Outra falha é contratar um novo empréstimo para quitar o anterior sem comparar o custo efetivo, o prazo e a pressão sobre o capital de giro.

Antes de negociar, o empresário deve listar credores, parcelas, juros, multas e garantias. Também precisa identificar quais débitos ameaçam a operação, o relacionamento com fornecedores ou o acesso ao crédito. “Uma boa renegociação precisa partir de uma parcela possível, e não de uma parcela desejada”, orienta Toledo.

A proposta pode incluir redução de juros e multas, ampliação do prazo, carência inicial ou consolidação dos débitos. O acordo deve ser formalizado por escrito e preservar recursos para o funcionamento da empresa. Em Goiás, pequenos negócios também podem recorrer ao Programa de Conciliação para Pequenos Negócios, parceria entre o Sebrae e o Tribunal de Justiça de Goiás voltada à solução de cobranças e conflitos financeiros.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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