Os shows musicais apresentaram crescimento expressivo, segundo a pesquisa. (Foto: Reprodução)

Os shows musicais apresentaram crescimento expressivo, segundo a pesquisa. (Foto: Reprodução)

Os shows musicais apresentaram crescimento expressivo, segundo a pesquisa. (Foto: Reprodução)

Os shows musicais apresentaram crescimento expressivo, segundo a pesquisa. (Foto: Reprodução)

Shows são preferência dos brasileiros, mas preço ainda dificulta acesso à cultura

Shows são preferência dos brasileiros, mas preço ainda dificulta acesso à cultura

Pesquisa mostra que 88% dos entrevistados participaram de alguma atividade cultural presencial no último ano

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Sociedade

Os brasileiros estão participando mais de atividades culturais fora de casa, e os shows de música estão entre as opções que mais ganharam público. É o que revela a sétima edição da pesquisa Hábitos Culturais, realizada pelo Observatório Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha, divulgada nesta quarta-feira (14).

Segundo o levantamento, 88% dos entrevistados participaram de pelo menos uma atividade cultural presencial nos 12 meses anteriores à pesquisa. Em 2025, esse percentual era de 84%.

Os shows musicais apresentaram crescimento expressivo. A participação passou de 45% para 51% dos entrevistados em um ano, colocando as apresentações musicais à frente de atividades como cinema, visitas a museus e exposições de arte.

Apesar do aumento no interesse por eventos culturais, a pesquisa revela que o dinheiro continua sendo um dos principais fatores que afastam parte da população dessas experiências.

Shows, eventos ao ar livre e festas populares atraem brasileiros

As atividades realizadas em espaços abertos aparecem com destaque no levantamento. Eventos ao ar livre foram frequentados por 63% dos entrevistados, enquanto festas populares, típicas e folclóricas alcançaram 45%.

O cinema foi citado por 39% dos participantes, mesmo percentual registrado para visitas a locais de patrimônio histórico.

Outras atividades também apresentaram crescimento. A frequência a centros culturais passou de 26% para 32%, enquanto as visitas a museus aumentaram de 16% para 21%. As exposições de arte passaram de 27% para 31%.

Pela primeira vez, a pesquisa incluiu outras manifestações culturais no questionário. Os pontos de cultura e espaços comunitários foram frequentados por 38% dos entrevistados, as rodas de samba, pagode ou choro por 30%, e os bailes funk por 9%.

Renda influencia acesso a cinemas, teatros e museus


Banner de 93 anos de Goiânia, com a frase “Pra toda vida, pra todo mundo” e a imagem de uma mulher e uma criança.

Embora a participação cultural tenha aumentado, as diferenças entre as classes sociais continuam expressivas. Entre os entrevistados das classes A e B, 97% realizaram alguma atividade cultural presencial no período analisado. Nas classes D e E, o percentual foi de 82%.

A desigualdade fica ainda mais evidente quando são observadas determinadas atividades. No cinema, por exemplo, 63% das pessoas das classes A e B frequentaram salas de exibição, contra apenas 18% das classes D e E. No teatro, os percentuais foram de 41% e 17%, respectivamente. Nos museus, a diferença foi de 35% para 14%. Os shows também apresentam essa distância: 64% de participação nas classes A e B, diante de 42% nas classes D e E.

Preço e insegurança são obstáculos para aproveitar a cultura

Quando questionados sobre os motivos que dificultam a participação em atividades culturais presenciais, 35% dos entrevistados apontaram os custos como principal obstáculo. A insegurança e a violência aparecem em seguida, mencionadas por 30% dos participantes. Outras dificuldades incluem falta de tempo, citada por 23%, cansaço ou desânimo, com 21%, e distância dos eventos e lotação, ambas com 19%. A falta de transporte foi apontada por 16%.

A preocupação com a violência contra mulheres e o assédio em espaços culturais também cresceu. O percentual passou de 21% na edição anterior para 27% neste ano. Entre as mulheres entrevistadas, 38% mencionaram essa preocupação, contra 14% dos homens.

Escolas e espaços de bairro podem aproximar a população da cultura

A pesquisa também chama atenção para a importância de atividades culturais realizadas perto de casa. Um terço dos entrevistados, 33%, afirmou não contar com equipamentos culturais na região onde mora. Por outro lado, 40% disseram ter participado de alguma atividade cultural no próprio bairro ou nas proximidades durante os últimos 12 meses.

Ruas e praças aparecem entre os espaços mais utilizados, citados por 68% dos participantes. Igrejas foram mencionadas por 61%, parques por 54% e escolas por 43%.

Entre as atividades realizadas nas escolas, estão feiras culturais e festas juninas ou folclóricas.

O levantamento aponta ainda que 72% dos entrevistados participariam de mais eventos culturais se as escolas de seus bairros oferecessem essas atividades com maior frequência.

Música e streaming dominam consumo cultural dentro de casa

Quando o assunto é cultura consumida pela internet ou em casa, a música também ocupa posição de destaque. Ouvir músicas on-line foi uma atividade mencionada por 85% dos entrevistados. Em seguida aparecem os filmes em plataformas de streaming, com 76%, e as séries, com 73%.

Novelas e podcasts registraram 56% cada. A leitura de livros impressos foi citada por 54%, enquanto os jogos eletrônicos alcançaram 43% e os livros digitais, 38%.

Como foi feita a pesquisa?

A sétima edição da pesquisa Hábitos Culturais ouviu 2.448 pessoas com idades entre 16 e 65 anos, em 137 municípios de todas as regiões do Brasil. As entrevistas foram realizadas entre os dias 7 e 20 de julho de 2026.


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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.

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