Lista da Forbes reúne lideranças com atuação em Porangatu, Formosa, Rio Verde e Flores de Goiás, com trajetórias que vão da pecuária à inovação tecnológica
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Sociedade
Quatro mulheres com atuação no agronegócio goiano aparecem na segunda edição da lista das 100 Mulheres Poderosas do Agro, divulgada pela Forbes Brasil nesta quinta-feira (15), Dia Internacional da Mulher Rural. A seleção reúne lideranças que se destacam na produção agropecuária, na gestão de empresas, na pesquisa e no desenvolvimento de tecnologias para o campo.
Entre os nomes com ligação direta a Goiás estão Ana Amélia Paulino, de Porangatu; Camila Colpo, de Formosa; Nathália Secco, de Rio Verde; e Helen Jacintho, que mantém atividade agropecuária em Flores de Goiás.
A publicação retoma a seleção de 100 mulheres lançada pela primeira vez em 2021. Nesta edição, a Forbes considera três dimensões na escolha das participantes: poder de decisão, impacto das atividades desenvolvidas e capacidade de influência no setor.
Ana Amélia Paulino abriu espaço para mulheres no sindicalismo rural
Advogada e pecuarista, Ana Amélia Paulino foi a primeira mulher a ocupar uma diretoria do Sindicato Rural de Porangatu, no norte de Goiás, e também a primeira a assumir a presidência da entidade em seus 58 anos de história.
Eleita no início de 2024, ela se prepara para disputar a reeleição no fim de outubro, para um mandato que se estenderá até 2029.
Na Fazenda Barra das Onças, pertencente à família, Ana Amélia administra um rebanho de aproximadamente 3 mil bovinos da raça Nelore, além da criação de cavalos.
Ela também preside a Comissão de Equideocultura da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg).
Segundo os dados apresentados pela Forbes, apenas dez dos 121 sindicatos rurais de Goiás são presididos por mulheres.
Camila Colpo comanda conselho de empresa bilionária em Formosa
A engenheira agrônoma Camila Colpo preside, desde 2015, o conselho de administração da Boa Safra Sementes, empresa sediada em Formosa, no Entorno do Distrito Federal.
Cofundadora e acionista controladora da companhia ao lado do irmão, Marino Colpo, Camila participa da gestão de uma empresa que detém aproximadamente 10% do mercado brasileiro de sementes de soja.
Em 2025, a Boa Safra registrou faturamento de R$ 2,6 bilhões, crescimento de 42% em relação ao ano anterior. A produção envolve cerca de 350 agricultores parceiros e uma área de 300 mil hectares.
Formada em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Camila também estudou melhoramento genético de milho e girassol na França e possui formação em gestão do agronegócio e governança corporativa.
Nathália Secco leva inovação tecnológica às fazendas de Rio Verde
A trajetória de Nathália Secco reúne duas áreas aparentemente distantes: música e agronegócio.
Formada em Música pela Universidade Federal de Goiás, ela iniciou a carreira como cantora lírica antes de se dedicar ao empreendedorismo e à inovação no campo.
Em 2019, fundou em Rio Verde o Orchestra Innovation Center, apontado pela Forbes como a primeira aceleradora de agtechs de Goiás voltada à inovação tecnológica.
O projeto aproxima empresas de tecnologia e produtores rurais para testar soluções diretamente nas propriedades.
Em 2022, Nathália criou a Orchestra Ventures, com um fundo de R$ 6 milhões financiado por ela, quatro empresas e três produtores rurais da região.
Segundo a publicação, as tecnologias desenvolvidas e aceleradas pelo grupo já alcançaram aproximadamente 200 mil hectares de soja, milho, cana-de-açúcar e algodão no sudoeste goiano.
A Forbes também destaca resultados relacionados à produtividade e à redução média de 40% nos custos com herbicidas.
Em 2025, Nathália foi a única brasileira entre as finalistas da categoria agtech do Global Women in Agritech, realizado na Bélgica.
Helen Jacintho desenvolve pecuária e produção de energia em Flores de Goiás
Engenheira de alimentos, Helen Jacintho é uma das fundadoras do Forbes Mulher Agro, iniciativa criada em 2023 para reunir lideranças femininas do setor.
Ela administra, com o marido, Bruno, duas propriedades rurais: a Continental, em Barretos, São Paulo, e a Regalito, em Flores de Goiás.
Na propriedade goiana, desenvolve pecuária intensiva e utiliza um biodigestor que transforma dejetos do confinamento em biogás e biofertilizante.
As atividades da fazenda também incluem produção de cana-de-açúcar e grãos, além do cultivo de seringueira e teca.
Helen integra o Conselho Superior do Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e é cofundadora da associação De Olho no Material Escolar.
Ela foi a primeira presidente do Forbes Mulher Agro.
Lista destaca diferentes formas de liderança feminina
A segunda edição das 100 Mulheres Poderosas do Agro foi divulgada cinco anos depois da primeira seleção, publicada em 2021.
Nesse intervalo, a Forbes desenvolveu outras listas dedicadas à participação feminina no setor, incluindo pesquisadoras, executivas com atuação internacional e jovens empreendedoras.
A edição de 2026 reúne mulheres de diferentes regiões e atividades, com destaque para a gestão de negócios, a produção rural, a inovação tecnológica e a participação em entidades representativas.
No recorte goiano, as quatro trajetórias mostram diferentes áreas de atuação no agronegócio: a representação sindical, a produção de sementes, a tecnologia aplicada às lavouras e a pecuária.
A lista completa está disponível no site da Forbes Brasil.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.
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