Documento apresentado nesta quinta-feira (22) prevê divulgação simultânea dos dados dos dois candidatos à Presidência; medida ainda depende de autorização do TSE
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Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegaram a um acordo para autorizar a abertura de seus sigilos bancários, fiscais e telefônicos. O documento, apresentado nesta quinta-feira (22) pelo senador Camilo Santana, prevê que as informações sejam divulgadas de forma simultânea e em um endereço eletrônico de acesso público.
Apesar do entendimento entre as campanhas, a divulgação dos dados ainda depende de uma decisão do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável pela análise do caso.
O documento será encaminhado ao magistrado com o pedido de que as providências sejam adotadas ainda nesta quinta-feira. O prazo estabelecido para a apresentação das autorizações é de 23h59.
“Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Nantes Bolsonaro, candidatos à Presidência da República, já qualificados nos autos, vêm, conjuntamente, informar que aceitaram integralmente os termos recíprocos do desafio objeto destes autos e autorizam a abertura total dos respectivos sigilos”, diz o texto.
O que prevê o acordo entre Lula e Flávio Bolsonaro?
A proposta estabelece que a abertura dos sigilos ocorra nas mesmas condições para os dois candidatos, sem divulgação antecipada dos dados de apenas uma das partes.
O documento também menciona autorizações relacionadas a familiares e empresas, além das informações pessoais dos presidenciáveis. “A abertura será imediata, total, nas condições integrais aceitas por ambos, e simultânea para os dois candidatos. Os dados relativos às autorizações já apresentadas, próprias, de familiares, e de empresas, serão abertos e divulgados hoje, 22.10.2026”, estabelece o acordo.
Para viabilizar a medida, as campanhas pedem que o ministro André Mendonça determine a requisição das informações ao Banco Central, às instituições financeiras, à Receita Federal e às operadoras de telefonia.
A solicitação prevê que os dados sejam publicados no sistema DivulgaCandContas, da Justiça Eleitoral, ou em outro site de acesso público.
O pedido, no entanto, não significa que as informações já tenham sido liberadas. A decisão sobre a abertura e a forma de divulgação cabe ao TSE.
Empresa ligada a amigo de Flávio Bolsonaro entrou na discussão
Antes da apresentação do acordo, a defesa de Lula havia informado ao TSE que o presidente não se opunha à abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico.
A campanha petista, porém, insistia que o compromisso também deveria incluir informações da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira e pertencente ao advogado Willer Tomaz, apontado como amigo próximo de Flávio Bolsonaro.
Segundo a petição apresentada pela defesa de Lula, registros encontrados pela Polícia Federal indicariam que Flávio figurava como “usuário master” de uma conta bancária vinculada à empresa.
A manifestação sustenta que esse vínculo teria sido encerrado em maio de 2025, depois do início da Operação Sem Desconto, investigação sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O documento também menciona uma viagem de Flávio Bolsonaro em um avião executivo pertencente à empresa de Willer Tomaz. “Se, como [o candidato do PL] afirma, nada tem a esconder, não há razão para que a conta da Alcazar fique fora das gavetas que ele mesmo propôs abrir. Quem não deve, não recorta”, afirma a petição da campanha petista.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.
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