Imprensa internacional destaca aprovação da PEC pelo Senado, mudança de posição de Flávio Bolsonaro e redução gradual da jornada de trabalho sem corte salarial
·
Política
A aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6x1 ganhou destaque na imprensa internacional nesta quinta-feira (15). Agências de notícias e jornais estrangeiros interpretaram a votação no Senado como uma conquista política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a dez dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.
A proposta foi aprovada na quarta-feira (14), em dois turnos, com 75 votos favoráveis e apenas um contrário em cada votação. Como os senadores mantiveram o texto aprovado pela Câmara dos Deputados em maio, a PEC segue diretamente para promulgação, sem necessidade de sanção presidencial.
A mudança prevê a redução gradual da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição dos salários.
Imprensa internacional destaca votação e mudança de posição de Flávio Bolsonaro
A agência Reuters apresentou a aprovação como uma conquista legislativa relevante para Lula e destacou o apoio de parlamentares de diferentes campos políticos à proposta.
A cobertura também chamou atenção para o voto favorável do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário do presidente no segundo turno. O parlamentar havia se posicionado contra a medida anteriormente, mas mudou de posição durante a campanha eleitoral.
A Associated Press (AP),repercutiu que Flávio participou da votação remotamente enquanto cumpria compromissos de campanha no Sul do Brasil.
Analistas consultados pela agência avaliaram que a mudança de postura de aliados do senador esteve relacionada à preocupação com possíveis repercussões eleitorais da resistência à proposta.
A imprensa europeia também acompanhou a votação. O jornal britânico The Guardian relacionou a mudança de posição de Flávio ao apoio popular à redução da jornada.
Na França, o Le Monde abordou a aprovação no contexto da disputa presidencial brasileira. Já a emissora alemã Deutsche Welle (DW) analisou as possíveis repercussões políticas da medida para a campanha de Lula.
O que muda com o fim da escala 6x1?
A PEC estabelece uma redução gradual da jornada máxima semanal, atualmente limitada a 44 horas. Pelo texto aprovado, a jornada passará para 42 horas semanais 60 dias após a promulgação da emenda constitucional. Um ano depois, o limite será reduzido para 40 horas semanais.
Em ambas as etapas, a proposta determina que os trabalhadores não poderão sofrer redução salarial em razão da mudança. O objetivo é ampliar o tempo de descanso e modificar a organização das jornadas de trabalho no país.
Apesar da aprovação no Congresso, as novas regras ainda dependem da promulgação para que os prazos de implementação comecem a ser contados.
Prazo de adaptação foi um dos pontos de discussão
O período concedido às empresas para se adaptar à nova jornada esteve entre os principais temas debatidos durante a tramitação da proposta. Representantes empresariais e parte dos parlamentares defendiam uma transição mais longa, que poderia chegar a dez anos. O texto aprovado, entretanto, estabelece uma implementação em duas etapas, com início 60 dias após a promulgação e conclusão um ano depois.
A discussão envolve a reorganização das escalas de trabalho, especialmente em setores que funcionam durante todos os dias da semana.
Flávio Bolsonaro votou a favor, mas admite rever regras
A votação também evidenciou a mudança de posição do candidato do PL sobre a proposta. Depois de críticas anteriores à redução da jornada, Flávio Bolsonaro anunciou apoio à PEC e votou favoravelmente ao texto aprovado pelo Senado.
O senador, no entanto, já sinalizou a possibilidade de discutir alterações nas regras caso seja eleito presidente, segundo informações divulgadas pela imprensa.
A posição mantém o tema no centro do debate eleitoral, já que a redução da jornada é defendida pelo governo Lula e passou a contar também com o apoio de seu adversário na votação do Congresso.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.
Continue a leitura







