Comparação feita pelo Blog do DK reúne levantamentos de 13 institutos; sociólogo aponta mobilização, abstenção e erros compartilhados como fatores decisivos na reta final
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Política
O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 50,9% dos votos válidos, contra 49,1% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em um agregado elaborado pelo Blog do DK com pesquisas nacionais disponíveis até a tarde deste domingo (18). A vantagem numérica do candidato do PL convive com a redução da distância entre o petista.
A comparação feita pelo Blog do DK reuniu 21 rodadas de 14 empresas. A média principal utiliza a pesquisa mais recente de 13 delas, disponíveis até a tarde deste domingo (18). Para chegar ao resultado, os levantamentos mais novos receberam maior peso. Os votos válidos incluem apenas quem escolheu um dos dois candidatos.
Ao Blog do DK, o sociólogo Kim Macherini, diretor da Santa Dica Pesquisas, afirma que a repetição do movimento ajuda a identificar se a mudança tem consistência. “Quando institutos diferentes, que trabalham de formas independentes, fotografam o mesmo movimento na mesma direção, o resultado ganha força.”
Na avaliação dele, o presidente conseguiu permanecer competitivo mesmo depois das adesões recebidas pelo adversário. A campanha foi para as ruas e ganhou mobilização a partir de atos Brasil à dentro. “O que ficou claro com a análise é que a campanha do Lula segurou o tranco dos apoios políticos dos outros presidenciáveis, se mobilizou e está na disputa.”
O que mostram as pesquisas
A tabela reúne a rodada mais recente de cada instituto incluído na média. Todos os percentuais estão em votos válidos.
Instituto | Datas das entrevistas | Flávio Bolsonaro | Lula |
Vox Brasil | 15 a 17/10 | 49,0% | 51,0% |
Gerp | 14 a 16/10 | 52,0% | 48,0% |
Veritá | 12 a 16/10 | 51,1% | 48,9% |
Futura | 14 a 15/10 | 50,8% | 49,2% |
Ipespe | 13 a 15/10 | 51,2% | 48,8% |
CNT/MDA | 13 a 15/10 | 50,5% | 49,5% |
PoderData/Aya | 13 a 15/10 | 50,0% | 50,0% |
Datafolha | 13 a 14/10 | 51,0% | 49,0% |
Indexa/Broadcast | 13 a 14/10 | 51,0% | 49,0% |
Palver | 10 a 13/10 | 50,5% | 49,5% |
Quaest | 10 a 13/10 | 51,1% | 48,9% |
Nexus/BTG | 10 a 12/10 | 52,0% | 48,0% |
DataTrends | 7 a 9/10 | 53,1% | 46,9% |
Média ponderada | Corte em 18/10 | 50,9% | 49,1% |
Os percentuais da Palver e da Quaest foram convertidos para votos válidos. Na Gerp, foram mantidos os válidos publicados, embora exista divergência entre eles e a conversão dos votos totais divulgados.
A média ajuda a reunir o retrato produzido pelos institutos, mas não equivale a uma nova pesquisa. Ela também não elimina a possibilidade de os levantamentos apresentarem erros na mesma direção.
A distância caiu entre uma rodada e outra
No Datafolha, Flávio passou de 52% para 51% dos votos válidos, enquanto Lula saiu de 48% para 49%. A diferença, portanto, caiu de quatro para dois pontos. No Ipespe, a distância diminuiu de 5,4 para 2,4 pontos.
O PoderData/Aya registrou uma sequência de aproximação até chegar ao empate: primeiro, Flávio tinha 53% e Lula, 47%; depois, 51% a 49%; na rodada mais recente, ambos apareceram com 50%. Na Futura, a diferença caiu de 3,6 para 1,6 ponto.
Uma mudança pequena em uma única pesquisa pode decorrer da margem de erro. Quando o movimento se repete, passa a merecer maior atenção. Macherini cita uma máxima do trabalho com levantamentos: “Para ser tendência, tem que aparecer em três pesquisas seguidas.”
O sociólogo ressalta, porém, que o segundo turno oferece pouco tempo para acompanhar essa evolução. Mobilizações e erros de campanha podem mexer com o eleitor em poucos dias, enquanto as pesquisas precisam de tempo para entrevistar as pessoas e divulgar os resultados.
“Estamos dentro da mudança, não vendo ela de longe: é tirar foto de um carro correndo, a cabeça do eleitor nunca parou e hoje corre muito mais rápido que no passado”, afirma.
Projeção para o dia 25 pode apontar virada
Além da média, o Blog do DK fez um exercício para responder a uma pergunta: o que aconteceria se a distância continuasse diminuindo até a votação?
Se a aproximação prosseguisse com metade da velocidade observada nas séries comparadas, a simulação chegaria a 50,2% para Lula e 49,8% para Flávio. Se o movimento continuasse mais lentamente, com um quarto do avanço, Flávio permaneceria numericamente à frente, com 50,4%, contra 49,6%.
Esses resultados dependem da hipótese escolhida. Não há garantia de que a aproximação continuará nem de que manterá determinado ritmo. A escolha de usar metade da velocidade ainda não foi testada em eleições anteriores, e a diferença projetada não permite apontar um vencedor.
Quem vai votar pode fazer a diferença
Macherini destaca que o resultado também depende de quem comparecerá às urnas. Um candidato pode melhorar seu desempenho se conseguir levar mais eleitores para votar, mesmo sem conquistar pessoas que antes preferiam o adversário.
“Se mudar quem vai às urnas, os números mudam de sentido mesmo sem ninguém trocar de candidato.”
Outro grupo a observar é formado pelos indecisos e pelos eleitores que escolheram candidatos eliminados no primeiro turno. Segundo o sociólogo, esses votos não se dividem necessariamente pela metade entre os finalistas.
Ele também alerta que reunir várias pesquisas não resolve todos os problemas. “Os institutos usam métodos parecidos e podem errar juntos para o mesmo lado, e aí a diferença entre as pesquisas passa a impressão de segurança que não existe.”
Como a comparação foi feita
O levantamento reuniu 21 rodadas de 14 institutos. A média utiliza apenas a pesquisa mais recente de cada empresa, para que quem publica mais vezes não tenha vantagem na conta. As rodadas anteriores foram usadas para acompanhar as mudanças.
Os levantamentos mais antigos receberam menos peso: a cada sete dias de distância, o peso cai pela metade. Se todas as pesquisas incluídas tivessem o mesmo peso, o resultado seria de 51% para Flávio e 49% para Lula.
A AtlasIntel ficou em uma conta separada porque começou a entrevistar em 3 de outubro, antes do primeiro turno. Sua inclusão também leva o agregado a 51% contra 49%, sem alterar substancialmente o resultado.
A comparação é experimental, não possui margem de erro própria calculada e reúne os levantamentos localizados até o horário de corte.
Para Macherini, a última semana permanece decisiva. “A tendência mostra aproximação, mas num momento em que a foto sai sempre depois do movimento, a reta final pertence a quem erra menos.”

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.
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